A previsão de criação de um cartão de crédito específico para pagamento do aluguel, funcionando como um substituto para o fiador, pode diminuir o preço da locação de imóveis. A estimativa é do presidente do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo), José Augusto Viana Neto.
"Quando o locatário assina o contrato na imobiliária, o locador passa a receber através do banco, e isso significa, para ele, uma garantia absoluta de pagamento", explica Viana Neto. Segundo ele, por causa dessa garantia expressiva, os investidores tenderão a procurar imóveis para compra e posterior locação. Assim, com um aumento na oferta de imóveis para alugar, o esperado é que o preço do aluguel caia.
Outros benefícios
A simplicidade para se obter o cartão de crédito e o fim da necessidade do fiador são vantagens que podem acompanhar a criação de um produto como esse.
"A garantia de pagamento pelo cartão e a facilidade do acesso a esse serviço permitirá, por exemplo, que moradores de favelas consigam deixar essa condição de habitação e alugar um imóvel", afirma o presidente do Creci-SP.
O locatário ainda é favorecido, segundo Viana Neto, pelas taxas atrativas de administração do cartão de crédito, menores que as despesas com seguro fiança, por exemplo.
A inadimplência dos aluguéis também tende a diminuir, pois o banco que oferece o cartão acertará o aluguel atrasado com o locador, cobrando posteriormente os juros pelo atraso do locatário, conforme explica Viana Neto.
Possibilidades
Na última quinta-feira (24), o vice-presidente de Governo da Caixa Econômica Federal, Jorge Fontes Hereda, anunciou em São Paulo a criação de um cartão para o pagamento de aluguéis, mas o produto ainda não está montado.
A assessoria de imprensa da instituição informou que não haverá pronunciamento por parte da entidade até que o produto esteja pronto. Não há previsão de lançamento do cartão.
Por outro lado...
O cartão de crédito para aluguéis poderia contribuir para a transferência da inadimplência do setor imobiliário para o bancário, que teria de arcar com um possível incremento da parcela de inadimplentes do cartão de crédito.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) foi procurada, mas não quis se pronunciar a respeito dos impactos que poderiam decorrer da criação do "cartão aluguel", como o produto vem sendo chamado, sobre o crédito bancário.