Há três anos, quando começou a investir em ações por recomendação de amigos, o procurador do Trabalho Victor Hugo Fonseca Carvalho, de 26 anos, conheceu apenas o lado positivo da Bolsa. “A fase foi muito boa e havia muitas oportunidades no mercado”, lembra.
Após um tempo afastado para estudos, ele decidiu retomar o investimento no final do ano passado, comprando ações da Petrobras e da Vale. Desta vez, porém, o resultado foi diferente.
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Você acha que a queda da Bolsa é passageira ou deve se prolongar?
“Depois de atingirem o topo em maio, os papéis começaram a cair. Por isso, resolvi vender e sair da Bolsa quando ainda estava no ‘zero a zero’”, afirma. E o resultado poderia ter sido ainda pior, já que desde então a trajetória das ações foi apenas de queda.
O investidor Marco Túlio dos Santos, de 27 anos, resolveu “tirar férias” da Bolsa em março deste ano. Ele ingressou no mercado de ações há cinco anos e, desta forma, aproveitou praticamente todo o ciclo de valorização da Bolsa, mas acha que, de uns tempos para cá, o comportamento do mercado "deixou de ter lógica”.
A exemplo de Victor Hugo e Marco Túlio, muitos investidores decidiram pisar no freio nos investimentos em ações. Apesar de o número de pessoas físicas que aplicam na Bovespa ter aumentado no mês passado, o volume negociado caiu 9% em relação a junho.
Ainda não houve, porém, nenhum movimento de fuga de recursos, o que demonstra que o investidor vem mantendo sangue-frio diante da piora do mercado. Enquete realizada no wikisite do portal AE Investimentos mostra que a reação de 53,9% dos investidores após a queda da Bolsa foi manter as posições. Confira o resultado completo da enquete.
Oba-oba
De acordo com o professor da
Fundação Instituto de Administração (FIA) e autor do livro “Como Ganhar Dinheiro no Mercado Financeiro”, Rafael Paschoarelli, a queda recente não deve afligir o investidor que entrou na Bolsa com foco no longo prazo. “Vender as ações agora, principalmente para quem investiu no auge da alta, seria o pior negócio do mundo”, ressalta.
Ele afirma que muitos investidores acabaram entrando na Bolsa no “oba-oba”, ou seja, tomaram a decisão de investir em ações com base na euforia que dominava o mercado até meados do ano passado. “E agora, venderam os papéis com base no medo”, diz.
Pachoarelli recomenda ao investidor que não sabe como agir diante da queda da Bolsa uma avaliação do cenário para as empresas nas quais investiu. “De um modo geral, não acredito que os fundamentos das companhias brasileiras tenham piorado tanto a ponto de refletir uma queda tão aguda”, argumenta.
Na análise do professor, a baixa foi provocada basicamente pela saída de investidores estrangeiros com horizonte de curto prazo. Para quem pensa em investir por um tempo maior, a partir de dois anos, ele classifica o momento atual como “excelente” para compras.
Na dúvida sobre a melhor ação para se investir, Pachoarelli recomenda a aplicação ou em um fundo de ações indexado – que tem como objetivo acompanhar a variação do índice Bovespa – ou em cotas do PIBB (Papéis Índice Brasil Bovespa), um fundo que tem suas cotas negociadas na Bolsa e cuja carteira replica o índice IbrX-50 – que reúne as 50 principais ações do mercado brasileiro.