Há tempos o mercado acionário brasileiro não vivia uma sessão como a desta quarta-feira (20). Mais exatamente, há quatorze pregões. O Índice Bovespa, que chegou ao menor patamar em quase um ano ao final da última segunda-feira, subiu 3,24%. Sem experimentar uma alta de mais de mais de 2% desde o final de julho e entre consecutivas baixas preocupantes, finalmente a Bolsa mostrou fôlego para recuperação.
A valorização marcada pelo Ibovespa no final do dia só foi possível com o aval de Wall Street. Apesar da alta bem mais tímida dos índices acionários norte-americanos, não houve o que barrasse o movimento de recuperação.
A recuperação dos 55 mil pontos foi se configurando ao longo da sessão, concretizada somente no meio da tarde. Os propulsores foram muitos. Passaram da alta das commodities a relatórios otimistas com o setor siderúrgico e financeiro. Os ganhos foram generalizados.
Metais básicos como motor
Como caiu principalmente com as commodities, voltou a subir forte graças, em grande parte, às commodities. O petróleo contrariou o ciclo recente de perdas e teve valorização de mais de 1%, mas o grande destaque ficou mesmo com os metais básicos.
Para se ter uma idéia, o níquel experimentou alta de mais de 7% no mercado internacional, seguido por valorização de 6,2% do chumbo, quase 5% do zinco e 3,2% do cobre. Responde em parte pelo surpreendente desempenho de Vale e siderúrgicas.
Mas nem só da alta das matérias-primas foi alimentada a performance destas ações. O mercado incorporou a visão otimista dos analistas. O Deutsche Bank divulgou relatório positivo sobre o setor, assumindo através dos papéis da CSN uma visão de que a alta dos preços dos metais no mercado interno tende a puxar os ativos do segmento.
Também teve parte na alta os dados do IISI (International Iron and Steel Institute). Segundo a instituição, a produção global de aço avançou 6,2% em julho na comparação anual, margem que resume bem a evolução no acumulado do ano (6,1%). Pode ser sinal de forte demanda.
Bancos e Petrobras também dão força
Desta vez, as ações da Petrobras (PETR4) ficaram em segundo plano, mas nem por isso deixaram de contribuir. Com o mercado repercutindo os desdobramentos sobre a criação de nova estatal para administrar as reservas de petróleo na área pré-sal e entre valorização de mais de 1% do petróleo em Nova York, os ativos da estatal petrolífera fecharam com valorização de quase 5%.
Parte significativa destes 3,24% de alta do Ibovespa também se deve ao setor financeiro. Os bancos se destacaram com a ajuda de comentário otimista do Citigroup, que considerou os recentes sinais de desaceleração inflacionária como alvo de potencial benefício às ações. A maior beneficiada foi a ação do Itaú (ITAU4), que terminou com alta de 4,16%.
Ganhos generalizados
Com três setores já citados, o que fica mesmo é que o dia foi de ganhos generalizados. Em parte, esta afirmação pode ser verificada, grosso modo, na predominante quantidade de integrantes do Ibovespa que encerrou a quarta-feira em alta. Dos 66 componentes do índice, apenas doze contrariaram a tendência e terminaram o dia no vermelho.
Entre forte resposta das blue chips, valorização das commodities, ganhos generalizados e depois de longo ciclo de baixas, a quarta-feira parece revigorar a esperança de recuperação da renda variável.