Investidores interessados em conseguir uns trocados extras colocando suas ações para alugar, preparem-se. Consideradas uma boa opção de ganho adicional para quem pretende manter os papéis na carteira no longo prazo, as operações de aluguel – ou empréstimo – vêm assistindo à paulatina redução das taxas médias cobradas pelos locadores, a ponta “doadora” da negociação. “As taxas dos negócios com ações de primeira linha caíram de 40% a 50% no último ano”, afirma o gerente comercial da corretora Ágora, Hélio Pio. Segundo analistas, a explicação para a queda está, novamente, nela: a volatilidade causada pela crise de crédito originada nos Estados Unidos.
O aluguel serve a dois senhores. Quem toma emprestado é o investidor que precisa de um determinado papel para negociar, mas não o possui. “Posso alugar para fazer a venda a descoberto de ações que estejam caras, para recomprá-las depois mais baratas. Também posso usar o aluguel para negociar opções cobertas (com a ação correspondente na carteira ao começar a operação)”, exemplifica o diretor da corretora Spinelli, Manuel Lois.
Já quem detém papéis e não pretende vendê-los de imediato os coloca para alugar por um período estabelecido. Em geral, sem custos além do Imposto de Renda, o locador só tende a ganhar: a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) garante a devolução das ações na data acertada, com o rendimento.
Mas as taxas de empréstimo – aplicadas sobre a cotação do papel no dia anterior ao fechamento do negócio ou no dia anterior à data do vencimento – andam baixas a ponto de desestimular a entrada na operação. Foi o que aconteceu com o administrador Dom In Kim, de 27 anos. Depois de multiplicar e subtrair, o investidor desistiu de oferecer suas ações da Petrobras e da Usiminas para alugar. “Quando via a lista de remuneração média da CBLC, pensei que fosse mensal. Quase caí quando descobri que era anual”, conta. “Cheguei à conclusão de que sobraria muito pouco.”
Taxas menores
As taxas pagas no aluguel das ações preferenciais da Petrobras, que estavam na média em 0,60% ao ano entre março e abril, hoje são de 0,29% anuais, de acordo com os números apurados pela CBLC entre os dias 8 e 26 de setembro. Nas preferenciais série A da Vale, que rendiam 0,58% ao ano, a taxa está em 0,33% anuais. A situação é pior nas ações com menor liquidez (menos negociadas). As preferenciais da Telebras, que rendiam 49,76% anuais ao locador entre março e abril, registram agora taxa média de 7,63% ao ano. As ordinárias da Renar Maçãs são as únicas em que o aluguel é polpudo, de 49,9% ao ano.
Ocorre que, assim como a cotação de uma ação, a taxa de aluguel responde à elementar lei da oferta e da demanda. Quando a quantidade de papéis disponíveis para empréstimo supera a disposição dos investidores para tomá-los emprestados, a tendência é de que a remuneração pedida pelo locador tenha de ser cada vez baixa para atrair locatários. Com a instabilidade registrada na Bolsa de Valores de São Paulo nos últimos meses, os investidores – propensos tomadores – têm diminuído o apetite por operações para as quais o aluguel é necessário.
“Quando há volatilidade excessiva, operações como a venda a descoberto costumam se reduzir”, explica Lois. Em maio, mês em que o Índice Bovespa atingiu seu recorde histórico de pontuação (73.516 pontos no fechamento), os aluguéis de ações movimentaram R$ 31,7 bilhões, de acordo com os dados da CBLC. No mês seguinte, foram R$ 37,7 bilhões. Em julho, porém, o volume caiu para a casa dos R$ 32,5 bilhões e chegou a R$ 20,5 bilhões em agosto – o nível mais baixo desde abril do ano passado.