Como identificar o verdadeiro líder?

Para escolher a pessoa que vai ocupar um cargo de liderança muitos fatores devem ser analisados, como a influência que esse indivíduo exerce dentro da organização. Hoje, com os avanços tecnológicos e aplicação das teorias sociais no mundo corporativo, é possível mapear como andam as relações pessoais dentro de uma empresa por meio das análises de redes sociais. Esse tema foi discutido em um evento promovido pela Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento – SBGC em parceria com a Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil - ADVB.



No último dia 18 de junho, o palestrante Fernando Guarnieri, que estuda essa questão há mais de cinco anos, afirmou que por meio de instrumentos de fácil aplicação e que exigem poucos investimentos é possível saber como de fato se comportam os membros de uma equipe. Imagine como essa análise pode ser útil na hora de se identificar o verdadeiro líder, ou seja, aquele em que a equipe realmente acredita e confia. Muitas vezes, a empresa escolhe uma determinada pessoa, mas o grupo de trabalho acaba legitimando outro individuo. Isso pode causar diversos problemas na execução de um projeto, como gaps no fluxo de informações.



O especialista afirma que a análise das redes sociais está ao alcance de qualquer empresa. "Os recursos necessários para realizar a análise são poucos e imediatos. Precisamos de um bom questionário, um bom entrevistador e um analista experiente", afirma Fernando Guarnieri. "Em relação aos ambientes de sua aplicação, a análise dentro de empresa possibilita saber como as pessoas se relacionam no ambiente de trabalho, algo que está intimamente ligado à identificação dos líderes", conclui.



Entre as questões que podem ser identificadas pela análise, está a velocidade com que as informações fluem a partir de cada pessoa, ou seja, como cada um contribui para a disseminação do conhecimento. Quando se estuda um grupo de trabalho fica claro com quantas pessoas o líder se relaciona e com qual freqüência ele é procurado pelas outras pessoas. Com isso é possível saber o quão essencial é o gestor escolhido. "O líder tem que ser a pessoa responsável por fomentar o trabalho em equipe e não simplesmente 'mandar', como faziam os 'chefes'. Por isso, deve se relacionar com o máximo de pessoas envolvidas em seus projetos, com uma periodicidade que permita um bom fluxo de informações, que seja capaz de atender à demanda do grupo", afirma Heitor Pereira, presidente da SBGC.



Segundo Pereira, o mapeamento dos relacionamentos humanos é essencial para que a empresa se conheça melhor e alcance melhores resultados. "Com a análise das redes sociais, podemos saber se a pessoa escolhida pela empresa para ocupar a liderança está fazendo isso de fato. A partir do resultado obtido podemos tomar duas medidas: ampliar os investimentos nessa pessoa ou legitimar de fato o líder não formal, ou seja, aquele que foi escolhido pelo restante do grupo", completa Heitor.




Fernando Guarnieri
é Diretor de Formação, Pesquisa e Promoção Institucional da Fundação ITESP; doutorando em Ciência Política pela Universidade de São Paulo – USP; estuda e trabalha com Análise de Redes Sociais há mais de cinco anos, tendo utilizado a ARS na academia, para estudar a formação de grupos políticos e em empresas, para auxiliar nos processos de Gestão do Conhecimento e de Inteligência Competitiva




Heitor José Pereira
é Presidente da SBGC - Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento; Doutor em Administração (EAESP/FGV,1995); Professor da FIA – Fundação Instituto de Administração e de MBAs de várias instituições (FGV Management; IBMEC;PUC-PR)



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