Quatro sindicatos italianos --CGIL, CISL, UIL e UGL-- chegaram a um acordo em princípio com um consórcio de investidores que querem comprar a companhia aérea estatal da Itália, Alitalia, hoje com dívidas de quase US$ 2 bilhões.
Mas cinco outros sindicatos --SDL, ANPAC, UP, ANPAV e Avia--, que representam pilotos, comissários de bordo e pessoal de terra dizem que não reconhecem o acordo e as negociações para salvar a empresa, que tem à frente um administrador especialmente indicado pelo governo italiano.
Se não se chegar a um acordo, a Alitalia pode falir na próxima semana.
Os funcionários da Alitalia resistem à possibilidade de perda de milhares de empregos e redução de salários que pode ser colocada como exigência no pacote de medidas para salvar a companhia.
O administrador da Alitalia, Augusto Fantozzi, disse que a partir desta segunda-feira os vôos não podem ser garantidos, mas o ministro do Trabalho da Itália, Maurizio Sacconi, disse que não há risco imediato para vôos. Os aviões da Alitalia deixaram o principal aeroporto de Roma na manhã desta segunda-feira normalmente.
A empresa alega que começa a faltar dinheiro para comprar combustível para seus aviões e o governo precisa persuadir os sindicatos a endossarem um acordo que envolva redução de pessoal.
O consórcio de investidores italianos deseja comprar as partes rentáveis da Alitalia, para fundi-la com a Air One, a segunda maior companhia aérea da Itália, numa nova empresa, a CAI (Companhia Aérea Italiana).
O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, prometeu fazer tudo o que puder para salvar a Alitalia.
Em abril, planos para que a empresa fosse comprada pela Air France-KLM falharam por causa da oposição dos sindicatos a demissões.
O governo italiano é dono de 49,9% da Alitalia, mas não pode simplesmente injetar dinheiro público na companhia por causa de regras em vigor na União Européia (UE).