O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, encerra nesta quarta-feira (10) a reunião que decidirá a nova taxa de juros da economia brasileira. As apostas dos economistas variam de 0,5 a 0,75 ponto percentual de alta, com vantagem para a segunda opção, que elevaria o juro básico brasileiro para 13,75%.
De acordo com o economista Sérgio Manoel Corrêa, da LLA Investimentos, a alta do dólar deve fazer o BC ser novamente conservador no que se refere à taxa de juros - por isso, a alta deve ser de 0,75 ponto. Ele diz que um dólar mais forte encarece as importações, que podem levar a uma alta futura da inflação.
Nesta terça-feira (9), o dólar ultrapassou a marca de R$ 1,77, atingindo o maior valor desde janeiro, ao subir mais de 2% no dia. "Ele (o dólar) vai impactar os preços lá na frente", ressalta.
Segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (8), que reúne dados coletados no mercado financeiro, a Selic deverá subir 0,75 ponto percentual O mercado prevê também que a taxa básica de juros seja elevada a 14,75% até o fim do ano e a 15% até março de 2009.
Os que apostam em uma alta de 0,5 ponto levam em conta os últimos índices de inflação, que mostram desaceleração. A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) divulgou nota prevendo elevação da Selic para 13,5%.
“Ao contrário de outras vezes, existem projeções de tudo que é tipo para o resultado da reunião do colegiado. Eu, particularmente, acredito que a taxa suba 0,5 ponto”, afirma o economista-chefe da instituição, Istvan Kasznar.
Altas consecutivas
Nas últimas três reuniões do Copom, os juros foram elevados. Na última delas, em julho, a alta foi de 0,75 ponto percentual (veja gráfico acima). Com isso, em pouco mais de cinco meses a taxa de juro básica da economia brasileira, denominada Selic, subiu de 11,25% para os atuais 13% ao ano.
Com a inflação em alta em todo o mundo, economistas consideraram que o BC brasileiro se adiantou às pressões inflacionárias. Por diversas vezes, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que a inflação traz um alto custo social para o país, justificando assim a sucessiva alta de juros promovidas pelo Copom em 2008.
Por outro lado, os empresários criticaram o movimento, alegando que a alta exagerada dos juros pode puxar o freio do crescimento da economia produtiva - entre os defensores de uma alta menor de juros está o vice-presidente da República, José Alencar.
“O Brasil possui um enorme percentual de pessoas que consomem apenas o essencial. É maior ainda a camada que nem o essencial consome. É óbvio que você não pode achatar o consumo de quem pouco consome. Uma taxa de juros elevada, além de inibir o consumo inibe também o investimento", disse ele no início deste mês, em São Paulo.