Copom mantém aperto nos juros e Selic sobe para 13,75% ao ano

O Copom (Comitê de Política Econômica do Banco Central) anunciou hoje o quarto aumento seguido da taxa básica de juros neste ano, que subiu de 13% ao ano para 13,75% ao ano. O BC (Banco Central) manteve a trajetória de aperto nos juros, em um momento em que os indicadores econômicos apontam forte crescimento da economia, queda da inflação e agravamento da crise internacional.

A decisão do BC não foi unânime, ao contrário do que aconteceu em todas as reuniões deste ano, e foi tomada em uma longa reunião, que durou mais de três horas. "Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 13,75% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e três pela elevação da taxa Selic em 0,5 ponto percentual, com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para trajetória de metas", informou a nota do comitê.

A decisão do Copom foi criticada por representantes da indústria, comércio e centrais sindicais. O mercado aposta agora que a taxa de juros chegará a 14,25% em outubro.

Com esse aumento, os juros voltaram ao patamar registrado entre outubro e novembro de 2006. Naquela época, no entanto, o BC estava no meio de um processo de redução da taxa básica. Agora, a expectativa é que os juros continuem subindo para segurar a alta de preços.

No início de 2008, a taxa Selic estava em 11,25% ao ano. Desde então, já foram anunciados dois aumentos de 0,5 ponto percentual, seguidos por duas altas de 0,75 ponto.

A maior parte do mercado financeiro já previa o novo aumento de 0,75 ponto na Selic, mas parte dos economistas acreditava em uma alta menor, devido ao recuo das taxas de inflação no início do mês.

Segundo a pesquisa semanal feita pelo BC com o mercado financeiro, os economistas prevêem agora uma alta dos juros para 14,25% na reunião do fim de outubro e para 14,75% em dezembro (o Copom se reúne a cada 45 dias aproximadamente). Os juros só voltariam a cair no segundo semestre de 2009.

Queda da inflação

O recuo nos preços dos produtos básicos, entre eles os alimentos e o petróleo, era o principal argumento dos que estavam a favor de um aumento menor dos juros nesse mês.

Além da deflação registrada pelo IGP-M em agosto, indicador que influencia aluguéis e tarifas públicas, houve recuou no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice do IBGE utilizado como meta de inflação pelo BC.

A meta definida pelo governo para 2008, 2009 e 2010 é de 4,5% (centro da meta), com tolerância de dois pontos, podendo chegar a 6,5% (teto da meta). O próprio BC já prevê uma inflação de 6% para este ano e está aumentando os juros para trazer a taxa de volta aos 4,5% em 2009.

PIB robusto

Outros dados, também do IBGE, reforçavam os argumentos a favor da decisão do BC: a produção industrial, as vendas do comércio e o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país) mostraram que a economia continua aquecida, o que aumenta o risco de repasse da inflação para todos os setores.

Esse último dado, divulgado na manhã de hoje, mostrou que o PIB do segundo trimestre cresceu 6,1% na comparação anual, ante 5,9% no trimestre anterior.

Apesar do nível recorde de investimentos (alta de 16%), o que assegura aumento da oferta de produtos para evitar uma inflação de demanda, o consumo segue aquecido. Segundo o IBGE, o consumo das famílias brasileiras cresceu 6,7%, acima do resultado geral do PIB.

Hoje pela manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o crescimento da economia é sustentável, pois veio acompanhado de desaceleração na inflação. Ele disse também confiar nas decisões do BC.

Para o ministro, os juros altos só terão impacto na economia em 2009, quando o PIB deve crescer menos (4,5%) em relação ao crescimento projetado para este ano, de até 5,5%.


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