O criador do site WikiLeaks, Julian Assange, disse na sexta-feira que a Grã-Bretanha agiu guiada por sua lealdade aos Estados Unidos ao proibir a entrada em seu território de Edward Snowden, o norte-americano que revelou ao mundo os programas secretos de espionagem dos EUA. Em entrevista à Reuters e a outros veículos às vésperas de completar um ano refugiado na embaixada equatoriana em Londres, Assange se disse preocupado com os relatos de que Londres teria orientado companhias aéreas a impedirem o embarque de Snowden em voos para a Grã-Bretanha. O governo britânico não quis se manifestar sobre essa orientação, noticiada pela agência de notícias Associated Press. “O governo britânico recusou a entrada neste país de Edward Snowden. Por quê? Presumivelmente porque não quer acabar com outro Julian Assange”, disse o próprio. “O governo britânico deveria oferecer asilo ao sr. Snowden, não excluí-lo. Tenho certeza de que se você perguntasse à população do Reino Unido sobre o que ela quer, ela desejaria proteger o sr. Snowden”. Assange – que enfureceu os EUA ao divulgar no WikiLeaks milhares de documentos secretos – se refugiou na embaixada para evitar uma possível extradição para a Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais. Snowden fugiu para Hong Kong antes de tornar públicas suas revelações, e disse estar disposto a lutar judicialmente contra uma eventual extradição para os EUA.