Descompetências: vire o jogo e transforme-as em algo positivo

Existem características e perfis que podem te atrapalhar bastante no mercado de trabalho. Que tal se você descobrisse quais são e transformá-las em competências?

Marcelo Vianna, Administradores.com,
iStock

Você já ouviu falar no termo 'descompetência'? Deixando de lado o neologismo, pense em algum profissional que você conhece: aquele que sim, é competente, além dos bons contatos e relevantes feitos corporativos. Uma pessoa que pode ser querida em seu meio, mas que possui uma ou outra característica que o impedem de avançar. É como um primeiro encontro, tudo acontece perfeitamente e dentro do planejado, mas nos dias que seguem, a convivência acaba revelando detalhes que não te deixam muito satisfeito. Uma mania, o jeito de falar, o comportamento em certas situações. Enfim, peculiaridades que de início não transparecem, mas que são, na verdade, o que chamamos de over e podem atrapalhar o relacionamento. Reconheça alguns dos sinais, entenda melhor porque tais descompetências são prejudiciais e atue para corrigi-las.

O prolixo

Existem pessoas que são ótimas no que fazem, mas que não conseguem ser objetivas. Geralmente conversam por muito tempo, mas não concluem o que iniciaram. Pessoas desse tipo vão ter grandes dificuldades para marcar uma reunião com alguém, ou até para retomar algum encontro. Imagine que alguém, depois do primeiro contato, já não atende mais as suas ligações; ou quando atende, diz que não tem tempo para conversar e desliga correndo. Você já passou por isso? Pode ser um sinal de que a sua objetividade anda em baixa. Para melhorar pense bem antes de falar. Pergunte-se antes de tudo, onde você ou seu ouvinte precisam chegar? E converse com calma, falando apenas aquilo que é relevante para o bate-papo e para a situação a ser resolvida.

Sr. ou Sra. Hiperlink

Pessoas inteligentes e com um repertório grande de informações, mas que, ao contrário do prolixo, até sintetiza, mas não filtra. Quando vai almoçar com alguém, você costuma ficar com prato cheio, enquanto todos os outros da mesa já finalizaram? Perceba, isso não é mandatório, mas acontece, talvez você começou a falar como se fosse uma tempestade de ideias, e não notou o seu ritmo frenético. Isso não é possível em uma reunião de negócios, por exemplo. Preste atenção ao ambiente e às pessoas que estão ao seu redor, talvez seja hora de ouvir um pouco mais. A comunicação é uma troca, alguém fala, a outra escuta. Dessa maneira, será um prazer conversar com você.

Motivado despreparado

A motivação é uma qualidade importantíssima no mercado de trabalho, mas quando acontece em um ritmo frenético e não preparado pode causar problemas. Imagine que você quer participar de todos os projetos que a empresa tem proposto, sua vontade e proatividade são grandes. Mas será que isso basta? Até demais. Quando nos propomos a realizar alguma atividade, ou mesmo quando queremos, mas não devemos, abraçar o mundo, é preciso avaliar onde estamos pisando. Se a nossa capacidade está adequada à certa ação, se nossos conhecimentos e experiência são suficientes. Tudo isso deve ser pesado. Pense na classe política, muitos candidatos, na ânsia por vencerem, prometem e prometem, e mesmo com vontade para realizar, quando ganham o cargo, não têm a preparação necessária para fazer acontecer, ou seja, há motivação, mas não há preparo. Questione-se, peça feedbacks com relação à sua atuação; conhecer-se melhor, tornará mais fácil a caminhada.

Síndrome de Horácio

Você já se deu conta de que nunca é o culpado pelos problemas dos projetos em que atua? Se a resposta for sim, essa é a hora de rever a rotina de trabalho. Assim como o personagem 'Horácio' da Turma da Mônica, você pode ser conhecido como 'braço curto'. Delegar atividades é importante, mas quando isso se torna um hábito, o problema acontece. Procure dividir suas tarefas entre o que realmente precisa ser terceirizado, e o que você pode e deve fazer. Mantenha o bom senso, se você ocupa certo cargo, é porque é capaz.

Forrest Gump

O famoso contador de histórias pode surgir no escritório. Esse tipo de pessoa parece saber desenvolver uma conversa, mas vive escutando a seguinte pergunta: você está me enrolando? Muitas vezes queremos contar uma história para contextualizar a pessoa que nos perguntou, mas isso pode soar mal. Para resolver, basta pensar no foco da pergunta, onde você precisa chegar, e então, transmita a informação exata.

Objetividade, transparência e uma dose de calma são essenciais para transformar qualquer descompetência em uma competência. Pense nisso.

Marcelo Vianna — Sócio-diretor da Conquest One, empresa especializada em contratação de profissionais especializados em TI, e CHRO responsável pela área de Pessoas e Compliance.




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