Ex-funcionária fala que sofreu "racismo corporativo" no Grupo Fleury

Estudante afirmou que era orientada a não usar seu cabelo "Black Power", mesmo ele se enquadrando nas regras de comprimento

Redação, Administradores.com,
Reprodução/Facebook
A estudante Mayara Oliveira afirmou que era orientada a não usar seu cabelo "Black Power", mesmo ele se enquadrando nas regras de comprimento

Desde a última quarta-feira (4) a publicação de uma ex-funcionária do Grupo Fleury, holding que controla negócios na área de diagnósticos médicos, tem levantado discussões e, obviamente, gerado uma crise de imagem que a empresa vai ter que resolver. Em seu Facebook, a estudante de psicologia Mayara Oliveira, que se identifica na rede como May Leonel, acusou os ex-empregadores de racismo e criticou as normas da companhia sobre como devem ser os cortes e penteados das funcionárias que atuam na recepção.

No post, a estudante afirmou que era orientada a não usar seu cabelo "Black Power", mesmo ele se enquadrando nas regras de comprimento. "A regra sempre foi muito clara: cabelos abaixo do ombro: presos. E acima do ombro: soltos, desde que não tenham franja. Mas isso não serve para a preta de Black Power. Fui obrigada sob ameaça de demissão ir com ele ‘bem presinho, da forma mais discreta possível’”, escreveu.

Segundo a estudante, a justificativa apresentada pelos superiores foi de que não poderia usar seu cabelo solto porque "os clientes Fleury são muito criteriosos" e o seu cabelo chamaria muita atenção. Ela afirma ainda que ouviu "piadinhas racistas diariamente" e que tentou desenvolver um projeto sobre racismo corporativo na empresa, sem sucesso.

 A reportagem do Administradores.com tentou entrar em contato com a estudante, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. Em entrevista ao Buzzfeed, Mayara contou que foi repreendida por não usar o cabelo completamente preso. "Eu tentei, usei no começo [o cabelo preso]. Mas meu cabelo é muito sensível, começou a quebrar. Doía muito a minha cabeça. Comecei a amarrar de forma mais solta e chamaram minha atenção diversas vezes. Eu não aguentei. Chorei horrores. Acontece sempre na minha vida: alguém implicar com o meu cabelo", disse Mayara.

Por meio de nota, o Grupo Fleury afirmou que está apurando o caso e que ele não "reflete o comportamento ético" da empresa. Confira o posicionamento completo:

Nota de Esclarecimento
O Grupo Fleury é uma instituição médica de 91 anos de existência, caracterizados por um comportamento rigorosamente ético e de respeito no relacionamento com todos que atuam na empresa e com as pessoas que procuram os seus serviços.

O quadro de colaboradores da empresa é marcado pela diversidade. É composto por 9 mil colaboradores, dos quais 80% são mulheres, sendo 51,3% negras ou pardas.

O Grupo Fleury mantém um Canal de Ética e Conduta independente para apurar denúncias de práticas e posturas contrárias ao seu Código de Conduta, que veta qualquer ato discriminatório. Assim que o Grupo tomou conhecimento do relato de sua ex-colaboradora, iniciou, de forma imediata, apuração do caso que, enfatiza, não reflete em nenhuma medida o comportamento ético ao longo de sua trajetória de mais de nove décadas.



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