O Japão é um dos países com a população mais velha do mundo – cerca de 128 milhões de pessoas já passaram dos 60 anos. Nos próximos 50 anos, a expectativa é que 40% dos japoneses sejam idosos. Mas o ministro das Finanças do país, Taro Aso, escolheu uma forma inusitada e nada sensível para lidar com esse fenômeno social. Em uma reunião do Conselho Nacional de Reformas da Segurança Social, Aso declarou que o governo deve permitir ao idoso “apressar-se e morrer”. “Deus nos livre se você é forçado a viver quando você quer morrer. Você não pode dormir bem quando pensa que está tudo pago pelo governo”, disse. Aso também se referiu a alguns idosos como “povo tubo”, já que precisam de uma sonda para se alimentarem. Agora ao contexto: no Japão, os idosos têm direito a cuidados médicos através de um plano conhecido como “fim de vida”, para garantir o seu sustento e apoio médico até o dia de sua morte. Com uma vasta parcela da população idosa e longeva – a expectativa de vida no Japão é de 83 anos em média, a maior do mundo – não é de se espantar que a seguridade social seja um problema sério por lá. Além disso, a cultura do país sempre lidou com a morte de uma maneira diferente da ocidental, o que nem sempre foi bem aceito pelas culturas cristãs. Um dia depois da reunião, Aso tentou amaciar suas declarações e afirmou que se tratavam apenas de opiniões pessoais, e não que o sistema médico deveria facilitar a morte dos idosos. Taro Aso, que ocupa o cargo há menos de um mês, é neto de Shigeru Yoshida, primeiro-ministro que foi um dos responsáveis pela reconstrução do país no pós-guerra. Não é a primeira vez que ele se envolve em polêmicas por suas declarações: o seu portfolio inclui até provocações a outras etnias. Com 72 anos nas costas, o ministro afirmou que não irá precisar desse tipo de atendimento, e que iria “morrer rapidamente”… Seppuku? Com informações do G1