O valor da educação

Professor da Universidade de Grenoble e teórico da hipermodernidade, o cientista social francês veio ao Brasil para participar do Fórum CFA de Gestão Pública, promovido pelo CFA

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Considerado um dos pensadores mais originais da atualidade e autor de best-sellers como Era do Vazio e O Império do Efêmero, Gilles Lipovetsky faz uma reflexão sobre a estrutura da sociedade em que vivemos.

Professor da Universidade de Grenoble e teórico da hipermodernidade, o cientista social francês veio ao Brasil para participar do Fórum CFA de Gestão Pública, promovido pelo Conselho Federal de Administração, realizado de 6 a 8 de junho em Brasília.

Lipovetsky abriu o evento com a palestra magna “Novos papéis nas relações da Sociedade com o Estado” e afirmou que é preciso formar pessoas que pensem.

RBA: O senhor afirma que a política seduz cada vez menos. Sendo assim, como fazer para equacionar essa crise que estamos vivendo no Brasil?

Gilles Lipovetsky: Eu diria que o essencial hoje é trazer de volta a credibilidade. Então, eu penso que inicialmente os políticos e os partidos políticos devem cumprir sua palavra. Quando temos ou vemos líderes que têm um discurso que, na prática, é feito o contrário, forçosamente a rejeição vai se instalar. Acredito também que, em longo prazo, os cidadãos vão apoiar os políticos que tenham um discurso verdadeiro.

Talvez eu acrescentasse um comprometimento mais determinado por parte dos governantes na questão escolar, pois a escola está ligada ao presente com as crianças, mas também ao futuro da sociedade. Então, acredito que se os cidadãos compreenderem que a escola é necessária para que exista mobilidade social e que, por conseguinte, trarão empregos mais ricos, eles poderão se reconciliar com a sociedade.

Mas como é possível alcançar isso? Hoje nós temos políticos que não estão preocupados com a sociedade. O fato de as pessoas estarem mais ativas na internet atualmente ajuda na busca dessa mudança de cultura?

Eu acredito mais numa democracia, eu diria, de controle, de vigilância, pois, graças à internet, agora as pessoas podem se expressar. Antes, muitas pessoas eram analfabetas e hoje possuem mais capacidade de reflexão. Assim sendo, acho que nós não devemos nos ater ao culto à internet. Ela é boa, mas eu não acredito que seja a solução para todos os problemas. Longe disso. Há várias análises que mostram que na internet as pessoas só visitam os sites que já conhecem, que parecem com o que eles pensam. Se você é da extrema direita, você só vai acessar os sites da extrema direita, o que é muito ruim, porque em vez de te fazer refletir, só reforça as convicções preexistentes. Quando você lê um jornal, é diferente. Às vezes, não lemos todos eles, mas eles trazem uma abertura porque não se fala somente do que te interessa.

Esse é o risco da internet, principalmente no caso dos jovens. Então, antes de ter fé nas propostas oriundas desse meio virtual, acredito nas soluções mais a fundo e isso passa forçosamente pela formação dos cidadãos. Essa formação é escolar, um investimento massivo, importante na formação dos homens para que eles tenham a capacidade de julgar.

Em longo prazo, não existe mistério; precisamos de cidadãos inteligentes que saibam refletir. Estou de acordo que isso não vai trazer a solução imediata para o problema, mas acredito mais no investimento feito no saber e nas escolas do que nessa crença com relação à internet, que é uma ferramenta e, sendo uma ferramenta, pode ser usada de formas muito diferenciadas. A internet é magnífica, mas você pode ver, ela ajudou a eleger Donald Trump [presidente dos EUA], que governa através do Twitter. Então, francamente, não é o ideal.

A entrevista completa, clique aqui.