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Receita da ONU contra a Fome: comer insetos

Documento diz que comer insetos tem muitas vantagens, como o alto nível de proteínas e vitaminas.

Célio Pezza, www.administradores.com.br,

Em fevereiro de 2010 falamos sobre a fome no mundo e mostramos que de acordo com a FAO (Food and Agricultural Organization), órgão das Nações Unidas, tivemos em 2009, mais de um bilhão de pessoas no mundo passando fome. Esta, sem dúvida, é a maior vergonha para o planeta. Também de acordo com a ONU e a UNICEF, temos entre 9-10 milhões de pessoas que morrem de fome por ano, sendo a principal causa de mortalidade no mundo.

 

A fome é como uma doença que afeta uma classe bem definida: aquela que não tem o mínimo recurso para pagar pela comida! Ela não afeta todas as classes da sociedade e nem todos os países.

 

Continuando, a ONU e a FAO divulgaram, recentemente, um documento incentivando a população ao consumo de insetos, pois, além de altamente nutritivos, ainda vão colaborar com a melhoria das colheitas, já que grande parte é perdida pelos insetos. Este documento de autoria do professor Arnold van Huis, da Universidade da Holanda e consultor da FAO e da ONU, diz que comer insetos tem muitas vantagens, como o alto nível de proteínas e vitaminas.

 

Diz ainda que existem muitos países onde já se comem insetos sem nenhum preconceito. Vai além e compara com a gastronomia de países ricos onde se come camarão em restaurantes finos, o que, na sua visão, nada mais é do que um tipo de inseto. Diz que no futuro não haverá carne para todos e a saída é disseminar o consumo de insetos, prática atualmente comum entre os que não têm o que comer.

 

O problema na essência é a falta de condição mínima para comprar comida, seja carne de frango ou de verme. Isto hoje já é desta forma, ou seja, países paupérrimos comem insetos porque não tem condições de obter coisa melhor. O problema é que esta miséria institucionalizada é aceita e, portanto, vamos fazer fazendas de vermes para os que não têm condições de pagar por um alimento melhor. Não questiono o valor nutricional dos insetos ou a intenção de dar um alimento para quem nada tem, mas o princípio da desigualdade. Sei também que sempre foi assim, mas não concordo que tenha que ser desta forma no futuro. Algo tem que mudar neste mundo!

 

Temos que acabar com a miséria e não criar mecanismos para perpetuá-la. Eu não consigo imaginar um futuro com carnes nobres para os ricos e insetos para os pobres, apesar de saber que hoje é desta forma.

Este estudo também propõe a criação de "fazendas de criação de insetos" para o consumo humano nos países pobres e sugere que se vá adicionando pouco a pouco os insetos misturados com carnes de frango ou outras, para criar o hábito e abaixar o custo das refeições. São citados alguns locais onde já se comem insetos, como um exemplo para o mundo:


Tailândia – formigas e besouros
Colômbia – formigas fritas
Nova Guiné – sagu de larvas
África – cupins e vermes de todos os tipos
Japão – larvas diversas
México – minhocas e gafanhotos fritos
Camboja – aranhas tarântulas empanadas e fritas
África do Sul – mingau de gafanhotos


Já nos EUA, Europa e países ricos, comem-se camarões!

 

Vejo que o problema essencial é a miséria e o tremendo desnível econômico entre os homens, que faz com que alguns tenham que se alimentar de insetos por não ter condições de comer algo melhor. Neste momento sinto muito nojo! Não dos insetos, mas sim dos homens que dirigem o mundo, convivem com estas desigualdades e se preocupam com sua perpetuação.

 

Célio Pezza - é escritor (www.cpezza.com), mas tem sua formação acadêmica em Química e Administração de Empresas. 





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