As pequenas e médias empresas receberam R$ 42,3 bilhões a mais em crédito por parte dos cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Unibanco e ABN Amro Real) nos últimos 12 meses, informam os balanços das instituições. O setor bancário investe em novas estratégias para se aproximar dessas companhias, informou o DCI.
O Itaú, por exemplo, passou a focar nos empréstimos ao pequeno comércio, enquanto o Real aposta nas empresas ligadas ao setor automobilístico e de petróleo. O Banco do Brasil promove o alongamento de prazos e a redução de taxas em modalidades como capital de giro.
O saldo de crédito concedido a micro, pequenas e médias empresas nos três primeiros meses do ano pelos cinco maiores bancos atingiu R$ 138,4 bilhões, alta de 44% sobre o mesmo período do ano passado, enquanto o saldo total de crédito à pessoa jurídica subiu 35,8% no período, segundo dados do Banco Central. Entre os cinco maiores, o destaque foi o avanço da carteira do Itaú, que subiu 49%, seguida por Bradesco, com crescimento de 47,8%. No primeiro trimestre, os cinco bancos desembolsaram R$ 7,271 bilhões a mais de crédito às PME em relação a dezembro de 2007.
No Itaú, são consideradas pequenas e médias as empresas com faturamento de até R$ 15 milhões anuais. O saldo dessas operações no primeiro trimestre atingiu R$ 25,6 bilhões. Uma das estratégias da instituição é se aproximar do pequeno e médio comércio por meio das transações com meios de pagamento via Redecard e Visanet.
Segundo Carlos Maccariello, superintendente de vendas de ativos para pessoa jurídica do Itaú, o avanço dos cartões de crédito no pequeno comércio abre espaço à oferta de produtos de crédito a essas empresas, como capital de giro com recebíveis como garantia. "As transações com cartões de crédito e débito estão aumentando muito e já representam quase 50% das transações do varejo. Conseqüentemente, isso é um recebível, um crédito a favor do estabelecimento", declara Maccariello.
Um dos objetivos é fazer com que o comerciante passe a realizar o fluxo de transações no Itaú. Do total de R$ 25,6 bilhões da carteira de pequenas e médias empresas do banco, de 40% a 50% são créditos com recebíveis, cujas taxas são até 25% mais baratas que nas modalidades de crédito comuns.
O Itaú conta com 500 mil clientes entre pequenas e médias empresas. No comércio, a oferta não se restringe ao limite de crédito. "Também oferecemos serviços como centralização de fluxo de caixa e adequação de informação da empresa", comenta.
O ABN Amro Real vem mantendo um crescimento de ao menos 40% para sua carteira de pequenas e médias nos últimos anos. No primeiro trimestre, a instituição somou R$ 32 bilhões em créditos, alta de 43,4% em relação ao mesmo período de 2007.
Para Altair Assumpção, superintendente de middle market do banco, as pequenas e médias empresas ligadas aos setores automobilístico, de eletroeletrônicos e de petróleo estão tendo o maior avanço. "O mercado como um todo tem crescido bem do ponto de vista do crédito. O País está mais estável, a economia está crescendo e os investimentos, saindo da gaveta. Isso faz com que as empresas tomem mais recursos no mercado financeiro", diz.
Segundo ele, o setor bancário está mais aberto às pequenas e médias empresas do que no passado, quando essas companhias tinham dificuldades de ter seu limite aprovado. "Isso é passado. Concordo que há três anos o mercado não tinha um atendimento dedicado a elas. Mas, de três anos para cá, procuramos nos diferenciar e nos aproximamos mais desse público", comenta. Este ano, o banco projeta crescimento de 27% da carteira. Os principais produtos contratados são capital de giro, repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e serviços de cobrança e pagamento de fornecedores.
O Banco do Brasil considera empresas micro, pequenas e médias aquelas com faturamento de até R$ 15 milhões. Com uma carteira de R$ 25,6 bilhões no primeiro trimestre de 2008 (alta de 32% frente ao mesmo período de 2007), o banco vê continuidade da expansão. "Os números de 2008 devem se manter nos patamares atuais", diz Sérgio Rau, gerente executivo de micro e pequenas empresas.