A criação do cadastro positivo aumentará a concessão de crédito no Brasil. De acordo com o gerente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Paulo Ronaldo Capoletti, é esta a tendência que se observa nos países que adotaram a lista do histórico dos bons pagadores. "Em mercados modernos, você tem aumento na concessão de crédito".
O diretor de produtos da Serasa, Ricardo Loureiro, concorda com a afirmação e a corrobora com estudo realizado por professores universitários norte-americanos. "Com a cultura e prática das informações positivas, há um aumento de 90% no número de pessoas que solicitam crédito e são atendidas", disse.
Riscos e taxa de juros
Este aumento na concessão de crédito é explicado pela redução do custo do crédito para os bons pagadores. "Diminui-se a taxa de juros e coloca-se o risco onde ele realmente existe. Se a pessoa compra bastante e paga bem, as taxas de juros diminuem para esta pessoa", explica o gerente da ACSP.
Ainda há diminuição na inadimplência. A pesquisa indicada pelo diretor da Serasa, feita por John M. Barron (Purdue University) e Michael E. Staten (Georgetown University), mostra que a inadimplência em 50 países que adotaram o cadastro positivo chega a ser 43% menor do que nos países que utilizam informações negativas.
Proposta e realidade
O cadastro funciona como um banco de dados contendo nomes de consumidores que quitam seus empréstimos bancários em dia. "Hoje, é feita uma consulta do CPF e analisado se "nada consta". A legislação, porém, não permite dizer se a pessoa saiu ontem do cadastro de inadimplentes", afirma Capoletti.
"Além disso, depois de cinco anos no cadastro de inadimplentes sem pagar ninguém, o nome da pessoa sai do cadastro e ninguém sabe que ela está devendo", completa.
Espaço para crescimento
Com a proposta, o diretor do Serasa acredita que a concessão de crédito poderá atingir os patamares internacionais. "O crédito hoje no Brasil corresponde a apenas 34,9% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto a média internacional é de 80%".
De acordo com ele, o cadastro ainda é uma forma de promover a democratização, inserindo mais pessoas neste mercado, a partir de riscos mensurados individualmente.