A venda de imóveis no país não pára de crescer. No entanto, o sonho da casa própria exige muita atenção. O brasileiro está cada vez mais cauteloso na hora de assinar um contrato de longo prazo.
Quem compra um imóvel na planta - aquele que ainda vai ser construído - investe em um futuro que antes prometia prosperidade, mas hoje parece incerto com a crise internacional.
Um exemplo é o caso de Márcio e da auxiliar de Recursos Humanos Taís Guedes da Silva. O casamento deles está próximo, mas a casa própria pode estar um pouco mais distante. “A gente fica mais na dúvida ainda: será que vai, será que não vai, será que a gente faz, será que a gente não faz. A gente pensa bastante. Já estava pensando antes, agora mais ainda”, diz ela.
Susto
Nos estandes das construtoras, nem mesmo uma banda musical consegue atrair o cliente. Sábado costuma ser um dia movimentado nos estandes, mas hoje havia pouca gente. A quebradeira no sistema financeiro mundial e a notícia de que as ações de construtoras brasileiras estão em queda livre assustam, mas ainda não atingem o comércio de imóveis, diz o gerente Fabio Romagnoli.
Precaução
O mercado imobiliário brasileiro está no melhor momento dos últimos vinte anos. No entanto, como a crise é grave e pode se mais longa do que se imagina, por precaução as construtoras reduziram em 30% o número de projetos de novos empreendimentos. “Nós vamos concluir essas obras que estão sendo feitas hoje e diminuir o que virá pro futuro”, afirma o presidente do Sindicato da Habitação-SP Fábio Rossi Filho.
O problema é que parte do dinheiro gasto num empreendimento vem de bancos estrangeiros, que estão com os empréstimos praticamente suspensos. “Houve uma deterioração a respeito das expectativas pra daqui cinco anos, pra daqui dez anos, isso sim. Mas não em relação ao curto prazo”, garante o professor de finanças do Ibmec Ricardo José de Almeida.