Desafio Sebrae muda visão pessoal e profissional de universitários

Companheirismo é a palavra-chave para os estudantes das oito equipes que disputam a grande final do Desafio Sebrae 2007 em Brasília. Cantam, tocam violão, conversam, se abraçam, trocam impressões sobre a viagem e suas realidades regionais. Mas na hora em que são convocados aos quartos para o jogo, a seriedade e a concentração voltam a tomar conta do corredor ocupado pelos universitários no Hotel Manhattam.

Engenharia Frenética (ES), X-5 (GO), Chuck Norris (AL), Trade Off (MS), Reseinha (SE), Só Pelanca (PB), Pulo do Gato (BA) e Retorno CPL (BA). Essas são as equipes finalistas do Desafio. O jogo leva aos universitários a experiência de gerir uma empresa virtual, com direito de vivenciar e conhecer os fatores que mais influenciam o mercado e o rumo dos negócios.

Não importa a área – Fisioterapia, Engenharia Elétrica, Administração de Empresas Informática –, todos os participantes admitem: com a experiência de empreendedorismo proporcionada pelo jogo virtual nunca mais serão os mesmos. Eles dizem que o Desafio modificaram bastante sua visão do mercado profissional.

O baiano Rosaldo Alves, de 37 anos, aluno de Administração e Marketing da Fundação Visconde de Cairu, em Salvador, é um destes casos. Pela primeira vez no jogo, conta que se surpreendeu muito com o Desafio Sebrae. Integrante de O Retorno CPL, Alves confessa que não se animou ao ser convidado para jogar. "Sou empresário, tenho uma indústria de uniformes profissionais há dez anos e achava que não iria aprender nada jogando", lembra.

Mais de seis meses depois, Rosaldo admite que mudou completamente sua visão. "O Desafio Sebrae me ensinou a ser mais ousado, a acreditar mais no meu sonho e a investir mais", diz. O estudante revela que, com o Desafio, conseguiu perceber que "sua chama empresarial, na vida real, estava se apagando". Com as idéias renovadas, Alves fala que já colocou em prática aprendizados do jogo virtual. Vai ampliar sua fábrica e lançar um novo produto.

Lídia Henrique, analista técnica do Sebrae Nacional, se entusiasma com o impacto do Desafio nos estudantes. "Um dos objetivos do Desafio Sebrae é estimular o empreendedorismo. Pensávamos que seria um processo a se desenvolver em um prazo mais longo, no entanto percebemos que esses jovens já estão aplicando conhecimentos do jogo como ferramenta de aprendizagem em seu próprio negócio, na vida profissional e em muitos aspectos de sua trajetória pessoal", observa.

Mudança de curso...

Ricardo Barrios Neto, de 20 anos, aluno de Física da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e integrante da equipe Reseinha, vai longe e diz que o Desafio Sebrae "mudou sua vida". O universitário participa pela segunda vez do Desafio. "Não estou exagerando, foi a coisa mais importante que me aconteceu", conta.

A partir do Desafio, Barrios revela que resolveu mudar de seu curso para Economia e vai deixar Aracaju para morar em Brasília. Em dois meses, Ricardo presta vestibular para a Universidade de Brasília (UnB). "Estava descontente com a Física. Tinha vontade de mudar, mas me faltava coragem. O Desafio me deu esse empurrão", diz. "Na Economia poderei usar melhor minhas habilidades empreendedoras", afirma.

Ricardo diz que se sentiu muito feliz em chegar à final e que todas as equipes participantes desta fase podem se considerar vencedoras. O universitário conta que, após se formar em Economia, pretende atuar como consultor empresarial. "Trabalhar com grandes empresas me permitirá aprender com suas estruturas. Isso me dará suporte para no futuro realizar meu sonho: montar uma empresa", revela.

Clínica de fisioterapia

Marcela Torres, de 20 anos, aluna do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê) e componente da equipe totalmente feminina e de estudantes de Fisioterapia Só Pelanca, adianta seu desejo de montar uma clínica em alguns anos. Marcela participou do Desafio em 2006. "Não quero abrir mão da Fisioterapia, porém pretendo fazer outro curso, como Administração", afirma.

A integrante da Só Pelanca diz que, com a experiência do Desafio Sebrae, ao montar o negócio agirá com visão diferenciada. "Gerindo a empresa do Desafio, aprendi que há épocas do ano em que a clientela diminui, por causa das férias. Por isso, deve-se fazer uma previsão menor na compra de materiais", exemplifica.

Mariana Dore, de 20 anos, companheira de equipe e de curso de Marcela, elogia no Desafio a oportunidade de viajar e conhecer outros lugares e pessoas. "Nunca tínhamos ido a Brasília ou a São Paulo. Foi fantástico", afirma. Mariana diz que, à medida que a competição avança, tendem a aumentar o estresse e o cansaço, no entanto, a união dentro das equipes e o respeito aos concorrentes superam esses obstáculos.

Gustavo Dematté e Frederico Lima, ambos de 20 anos, alunos de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Espírito Santo, integram a equipe Engenharia Frenética. A dupla cita como ponto importante do jogo virtual a possibilidade de se adquirir conhecimentos não disponíveis nas universidades.

"A cada momento se aprende algo diferente, ao se fazer a gestão de uma empresa", reforça Gustavo. "Em minha opinião, o valor principal do Desafio é nos despertar a sensibilidade para as mudanças do mercado, que ocorrem com cada vez mais velocidade", avalia Frederico. Os dois companheiros de equipe destacam no Desafio Sebrae o valor do intercâmbio de experiências pessoais entre jovens do Brasil inteiro. "Essa vivência é algo que talvez nunca mais vamos ter na vida", diz Gustavo.

A final do Desafio Sebrae 2007 teve abertura na noite de sexta-feira (24). Os alunos receberam informações sobre essa etapa e assistiram a uma palestra sobre Ética, a cargo da professora Heloísa Leite do Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A disputa no Hotel Manhattam entre as equipes teve início neste sábado (24) e prossegue no domingo (25).

Em 2007, o Desafio recebeu número recorde de inscritos, cerca de 86 mil. As inscrições aconteceram entre março e abril. Esta edição do jogo desafia os concorrentes a gerenciar uma empresa virtual do setor de cosméticos.

A competição começou em maio e fez uma pausa em julho. Nesse período, os alunos tiveram a opção de participar de cursos do Sebrae pela internet. O jogo reiniciou em agosto. A semifinal aconteceu em São Paulo dos dias 8 a 10 de novembro. Dessa etapa, saíram as oito equipes finalistas que disputam o primeiro lugar.

Na segunda-feira (26), às 19h, o País vai conhecer a vencedora nacional em solenidade na Torre de TV de Brasília. O prêmio será uma viagem para a Itália, onde vão ter contato com experiências tidas como referências em empreendedorismo. Além disso, o grupo vencedor participa do Desafio Sebrae Internacional com equipes de vários países da América do Sul.


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