Desemprego nos EUA atinge 6,5% em outubro, maior taxa desde 1994

A taxa de desemprego dos Estados Unidos cresceu 6,5% em outubro, atingindo o nível mais elevado em mais de 14 anos, desde março de 1994. O anúncio foi feito pelo governo norte-americano nesta sexta-feira (7), em comunicado do Departamento do Trabalho.

As empresas norte-americanas cortaram 240 mil empregos em outubro deste ano, ainda de acordo com o governo. Os analistas esperavam para outubro uma perda de 200.000 vagas e um desemprego de 6,3%.

O governo também anunciou a revisão dos dados de setembro, com a perda de 284 mil postos de trabalho. A taxa de desemprego saiu de 6,1% para 6,5% entre o nono e o décimo mês de 2008.

De janeiro a outubro de 2008, houve corte de 1,2 milhão de vagas nos Estados Unidos, sendo que quase metade do fechamento dos postos ocorreu nos últimos três meses.

Revisão

A alta brusca da taxa de desemprego em outubro pode ser explicada em parte por uma revisão em forte alta do número de empregos perdidos em agosto e em setembro (respectivamente 127.000 e 284.000 contra 73.000 e 159.000 segundo a estimativa publicada há um mês).

"O emprego perdeu 1,2 milhão de postos nos dez primeiros meses de 2008; mais da metade desta baixa aconteceu nos três últimos meses. Em outubro, os cortes de empregos continuaram na indústria manufatureira, a construção e vários setores de serviços. O setor de mineração e o setor de cuidados com a saúde continuaram gerando empregos", escreveu o ministério.

Degradação

O relatório do ministério do Trabalho no mercado de emprego é um dos indicadores econômicos mais acompanhados nos Estados Unidos. De um modo geral, os economistas dão mais importância aos dados de criação de empregos ou de perdas de empregos, que eles consideram mais representativos da saúde da economia do que a da taxa de desemprego.

O relatório de outubro traduz bem a degradação contínua da economia americana, cujo PIB começou a recuar 0,3% em ritmo anual no terceiro trimestre (em relação ao precedente). A maioria dos economistas esperam que o crescimento deve recuar mais no quarto trimestre.

Setores

Segundo o ministério do Trabalho, a indústria manufatureira cortou 90.000 empregos em outubro. O setor de equipamentos de transportes perdeu 40.000 postos "refletindo a fragilidade persistente do setor dos veículos automotivos assim como a greve dos 27.000 operários mecânicos do construtor da aviação Boeing".

O setor da construção destruiu 49.000 empregos, o comércio do varejo perdeu 38.000 e o setor financeiro demitiu 24.000.

O setor dos cuidados com a saúde criou 26.000 empregos líquidos, e o das minas abriu 7.000 vagas.

O salário por hora média aumentou 0,2%, ficando em 18,21 dólares no mês de outubro, o que corresponde às expectativas dos analistas de mercado.



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