No próximo sábado (15), o mundo todo comemorará o Dia do Consumidor. A data foi escolhida por conta de um discurso feito pelo ex-presidente norte-americano John Kennedy em 1962, no qual foram salientados os direitos à segurança, informação e livre escolha dos produtos e serviços por parte dos consumidores.
Mas, apesar de a data ser de comemoração, o especialista internacional em relações de consumo e presidente da Abrarec (Associação Brasileira das Relações Empresa-Cliente), Roberto Meir, lembra que as empresas brasileiras ainda precisam melhorar muito, quando o assunto é relacionamento e atendimento ao consumidor.
"Além disso, as organizações precisam estar estruturadas para manter o contato direto com seus clientes, a fim de identificar gostos, preferências e ouvir também sugestões e reclamações", argumenta Meir.
Consumidor não pode ser rei apenas no discurso
Ainda de acordo com o presidente da Abrarec, o dia 15 de março deve ser comemorado todos os dias, sendo que o consumidor não pode ser rei apenas no discurso, já que precisa ser bem tratado todos os dias, quando consome produtos ou entra em contato com a empresa, por meio de uma central de atendimento ou de um vendedor.
Conforme aponta uma pesquisa da TNS InterScience, a qualidade e o atendimento são os itens que mais importam para os consumidores na hora das compras, com 65% e 63%, respectivamente, vindo até mesmo à frente do preço, com 58%.
Desrespeito aos consumidores
Para o advogado especialista em direito do consumidor, Arthur Rollo, a grande virtude do Código de Defesa do Consumidor Brasileiro, que completou 17 anos de vigência na última terça-feira (11), foi a adaptação de institutos de sucesso do direito estrangeiro, principalmente o europeu, para a realidade brasileira.
"O CDC está próximo de atingir a maioridade com a certeza de tratar-se de uma legislação de vanguarda. A comissão de notáveis que o elaborou foi muito feliz e a prova maior disso é a sua ampla aplicação prática. Sem dúvida alguma, estamos diante de uma lei que pegou", acredita Rollo.
No entanto, o advogado ressalta que o balanço do último ano traz inúmeros episódios que atentaram contra os direitos dos consumidores, como a continuação da crise aérea, a adulteração de gêneros alimentícios, o furto de objetos nas malas de consumidores em aeroportos e o acidente da TAM.
"Tantas notícias ruins podem dar a impressão de que não temos o que comemorar. Mas é justamente o contrário, uma vez que, antes do Código, a fiscalização dos fornecedores era muito mais restrita e os consumidores não reclamavam, por desinformação e porque a medida não surtiria qualquer efeito", diz o especialista.
Hábitos de consumo
Em plena semana do consumidor, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e o Instituto Vitae Civilis lançaram a campanha "Mude o consumo para não mudar o clima", com a meta de mudar os hábitos de consumo das pessoas para tentar barrar o aquecimento global.
Os três objetivos da campanha são conscientizar a população, fazer com que as pessoas se tornem consumidores-cidadãos e pressionar as empresas. Além de disponibilizar uma calculadora de quanto gás carbônico é emitido pelos hábitos de consumo de uma pessoa, a campanha traz um abaixo-assinado para pressionar o governo federal a adotar medidas públicas, até o dia 5 de junho.
Segundo levantamento da empresa britânica BP, em 2005, o Brasil ocupava a nona posição entre os países que mais consomem energia elétrica no mundo, com 2,2% do total mundial utilizado. Nas posições anteriores estavam os Estados Unidos (23,3%), China (13,6%), Japão (6,2%), Rússia (5,2%), Índia (3,7%), Alemanha (3,4%), Canadá (3,3%) e França (3,2%).