Dicas para quem vai para a China

16 de julho de 2008 às 00:01
Confira o que é preciso saber para não cometer gafes no gigante asiático. 
A olimpíada, além do espetáculo esportivo, promete também alavancar negócios e parcerias para os mais diversos ramos de atuação.

Os Jogos Olímpicos de Verão de 2008, oficialmente conhecidos como os Jogos das XXIX Olimpíadas, serão realizadas em Beijing na República Popular da China de 8 a 24 de Agosto de 2008, com a cerimônia de abertura marcada para acontecer às 8h da noite em 8 de Agosto de 2008. Tanta preocupação com o número oito não é em vão. De acordo com a milenar cultura chinesa, esse numeral indica sorte, que é o que os organizadores desejam para este gigantesco evento sem precedentes.

Ling Wang, sócia da WiN Business, empresa que há cinco anos assessora empresas brasileiras que planejam fazer negócios com a China ou Taiwan, explica que a olimpíada, além do espetáculo esportivo, promete também alavancar negócios e parcerias para os mais diversos ramos de atuação. "Independente do objetivo que levar à China, ou a qualquer outro país, é sempre útil conhecer costumes e história do lugar", recomenda a especialista.

Com 17 anos de experiência em desenvolvimento de negócios, atuando em empresas de grande porte, fabricantes de produtos de consumo (Procter&Gamble, KimberlyClark-Kenko), eletrodomésticos (Arno), e do ramo médico-hospitalar (Johnson& Johnson, Dabi-Atlante), Ling acrescenta que é preciso entender o momento atual da China. "Há diferenças na forma de como se encara o tempo, a hierarquia e as relações pessoais. Vale a pena, mesmo indo a trabalho ou para uma feira, visitar os pontos turísticos mais conhecidos e ir a locais que ainda mantém as características históricas como nas casas de chá ou nos hutongs (bairros com arquitetura tradicional) em Beijing, e nos templos budistas existentes na maioria das cidades chinesas", aconselha.

Degustar a cozinha vegetariana também é uma experiência e tanto, porque pode surpreender ou assustar. "É verdade que os chineses comem de tudo! Isto ocorre não só porque são criativos no uso e preparo dos ingredientes, mas por uma questão de necessidade. A China é uma nação de 4 mil anos e passou por diversas épocas de guerras e fome. Daí a necessidade de comer o que estava disponível. Hoje, os hábitos à mesa são mais sofisticados e variados, mas permanece a prática de comer de tudo", revela a consultora.

Diferente do que algumas pessoas fazem ao embarcar para países de hábitos exóticos, Ling aconselha que não há necessidade de levar comida na bagagem. "Nas cidades grandes a variedade de oferta de culinária chinesa e internacional é muito grande e a preços convidativos. Além disso, há todas as redes de fast food internacionais e nas cadeias de hotéis internacionais há restaurantes de primeira linha e grifes".

Outro costume que poucos conhecem, e que acaba sempre trazendo mal-entendidos, é o fato de que chineses tendem a não gostar de confrontos e evitam constrangimentos, por isso, numa reunião ou negociação, embora não digam "não", dão sinais sutis de que não há concordância. "Nem sempre essa sutileza é entendido pelo ocidental, que por característica, não desiste tão facilmente. Portanto, não "forçar a barra" é uma boa dica. Mas, essa regra passa longe das compras nos street markets. "Nesses locais, o negócio é pechinchar muito e fingir desinteresse para poder fazer boas compras. Independente do preço pedido pelo comerciante ofereça 30% do valor. A mercadoria acaba saindo por 45 ou 50% do preço original", avisa Ling.

Normalmente, chineses são mais reservados e contidos ao interagir com pessoas que acabam de conhecer. Portanto, abraços e beijos no primeiro encontro, sobretudo de negócios, são considerados exagerados. "Isso contraria o que os brasileiros estão acostumados, mas é uma regra que precisa ser respeitada. Isto não quer dizer que depois de conhecerem as pessoas, os chineses não sejam calorosos e brincalhões", explica Ling.

Para aproveitar uma viagem a qualquer país, e em especial para a China, ela explica que entender como é a estrutura do idioma, saber as frases chaves (por favor, obrigada, até logo, pode me ajudar, pode chamar um táxi, onde fica...), ter um mapa atualizado (que pode ser encontrado nos hotéis) e conhecer o câmbio. "Sobretudo ter a mente aberta para o que vai ver, ouvir e comer. Andar pelas cidades e sentir os cheiros e observar o povo e seus costumes", explica.

A China surpreende por diversos motivos, dos quais vale destacar o contraste que está por toda parte, como rico x pobre, novo x velho, tradição x modernidade. A velocidade com que as coisas acontecem: construções, a efervescência das cidades grandes, muita gente em todo lugar, a qualquer hora e a disponibilidade de produtos e marcas, pirataria x originais.

O efeito Olimpíada

A China está se preparando para a Olimpíada, o que virou motivo de orgulho para o governo chinês e para o seu povo. Há diversos movimentos para tornar os jogos inesquecíveis e uma preparação especial para receber os turistas. Por essas razões, a população local está preparada para lidar com as diversas diferenças culturais e comportamentais dos estrangeiros que serão aceitas.

Ling destaca que as mudanças de comportamento na China também podem ser facilmente percebidas no mercado imobiliário. "O preço dos alugueis já apresenta uma curva crescente. Muitos proprietários estão deixando de alugar no começo do ano para que possam negociar no mês da Olimpíada, (por preços como RMB 2000/dia, o que daria mais lucro que alugar durante todo o ano). Um dos fatores que esta se tornando um outro grande atrativo é o embelezamento da cidade e a imposição do rodízio dos carros".

A especialista afirma que outra grande marca do povo chinês é a superstição. "A crença e o poder econômico convivem lado a lado, a arquitetura exótica e ousada, tais como os prédios da Vila Olímpica, o prédio da CCTV, principal televisão chinesa, mas sempre sem deixar de lado o Feng Shui. Esta filosofia indica que as localizações e construções devem seguir determinadas regras para que tragam sorte para o dono ou para o inquilino – evidente nos prédios, inclusive nos distritos financeiros das cidades. Outro exemplo: como os chineses acreditam que as crianças nascidas no ano do porco (2007) terão uma vida de fartura e prosperidade, no ano anterior (2006) houve um boom nos mercados relacionados à indústria do casamento (ouro-jóias-festas-roupas) para atender ao volume adicional de casamentos acontecidos a tempo de vir a gerar filhos no ano do porco", finaliza Ling.

A consultora é parceira do Consultor Sven Dinklage, que conduz treinamentos interculturais específicos para diversos países e culturas, assim como para o setor de hotelaria e turismo. Quando Ling e Dinklage realizam treinamentos e eventos em conjunto, a riqueza e diversidade do nosso mundo e os contrastes entre a cultura brasileira, a asiática e a européia ficam altamente tangíveis para os participantes.

Sobre Ling Wang
Ling nasceu em Taiwan, estudou e trabalhou no Brasil, e é uma profissional com background multicultural. Fala fluentemente Português, Inglês e Chinês. Possui 17 anos de experiência em desenvolvimento de negócios, atuando em empresas de grande porte, fabricantes de produtos de consumo (Procter&Gamble, KimberlyClark-Kenko), eletrodomésticos (Arno), e do ramo médico-hospitalar (Johnson& Johnson, Dabi-Atlante). Esta atuação possibilitou vivência internacional no desenvolvimento de produtos e negócios para países como EUA, França, Alemanha, México, tendo sido responsável pela definição da gama de produtos, estratégia de marketing e distribuição. Trabalhou por períodos nos Estados Unidos, França e Argentina. Liderou e trabalhou com equipes multiculturais baseados em países diferentes. É sócia da W!N www.winbusiness.com.br, empresa que há cinco anos assessora empresas brasileiras que planejam fazer negócios com a China ou Taiwan.

Sobre Sven Dinklage
Dinklage é consultor internacional especializado na área intercultural. Os seus clientes são do setor de hotelaria/turismo e empresas multinacionais que querem capacitar seus profissionais para lidaram melhor com as diferenças culturais. Dinklage possui ampla experiência em planejamento estratégico, inteligência competitiva, análise de novos negócios, gerenciamento de projetos e análise de processos administrativos. De nacionalidade alemã, a sua vivência internacional é extensa, já viveu nos EUA, na Inglaterra, na Espanha e na França. É detentor de uma alta sensibilidade intercultural e domínio dos idiomas alemão, inglês, espanhol, francês e português.

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