Dificuldade das indústrias em obter crédito é a maior em cinco anos, diz pesquisa

Desde 2003 as indústrias não têm tanta dificuldade em obter crédito, mostrou nesta quarta-feira a Sondagem da Indústria de Transformação da FGV (Fundação Getulio Vargas) relativa ao quarto trimestre do ano.

Segundo a pesquisa, 33% dos entrevistados disseram que o grau de exigência para obter crédito se elevou, e apenas 3% indicaram maior facilidade. Trata-se de uma posição completamente inversa ao do terceiro trimestre, quando 16% apontaram maior dificuldade e 27% indicaram mais facilidade.

O saldo entre um e outro não era tão alto desde a sondagem para o terceiro trimestre de 2003. Na ocasião, foram 44% dos industriais indicando maior exigência e 8% apontando maior facilidade.

Segundo o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloisio Campelo Junior, a natureza da dificuldade na obtenção do crédito nos dois casos são diferentes. "Em 2003, os empresários questionavam o crédito porque estava caro demais, os juros tinham subido nos primeiros meses do governo do Lula. Agora tem o componente dos juros, mas não tão importante, e o problema da falta de liquidez gerada pela crise financeira", explicou.

A pesquisa também detectou o problema que as empresas exportadoras estão tendo em obter financiamentos em dólares, através de ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio) ou outros instrumentos.

Entre os quatro dos 21 gêneros industriais pesquisados pelo FGV que indicaram maior dificuldade em conseguir crédito, três possuem uma porcentagem de vendas que são externas maior do que a média das empresas analisadas, que é de 24%. São os casos de material de transporte (29,1%), mecânica (33,8%) e metalurgia (31%).

A exceção é para as indústrias de materiais plásticos, justamente a que indicou mais dificuldade --48% disseram que a exigência para obter crédito subiu, e ninguém apontou redução. Porém, esse setor tem como principais clientes os ramos de construção civil e automobilística, que por sua vez tem a grande maioria de suas vendas dependente de financiamentos.

Para Campelo, o problema do crédito foi fundamental para que as empresas do setor industrial reduzissem sua confiança de setembro para outubro em 11,7%. O ICI (Índice de Confiança da Indústria) despencou de 102,2 pontos para 106,1 pontos no período.



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