Dólar alto e crédito escasso: crise dificulta compra de eletrônicos pela classe C

SÃO PAULO - O crédito estava mais acessível, o dólar estava desvalorizado e tudo isso favorecia o consumo de eletroeletrônicos por parte da classe C. Porém, com a crise financeira internacional, que se agravou no segundo semestre deste ano, a expectativa é de que a classe média repense sobre a aquisição destes itens.

"A crise deve afetar o acesso da classe C de duas maneiras. A primeira é pelo aumento de preços dos produtos em função da alta do dólar. As empresas deverão fazer conversão de preços porque muitos produtos têm componentes importados", informou o presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), Humberto Barbato.

"A segunda é pela restrição de crédito. Evidentemente, ele fica mais caro e eu não acredito que o número de parcelas vai ser mantido. Vai haver encurtamento", completou Barbato, que ainda disse que, no Brasil, nunca é a taxa de juros que controla a demanda, mas o tamanho da prestação, que aumenta com os prazos menores.

Ainda em relação aos prazos, ele afirmou que o mercado pratica, por exemplo, a compra de um computador em até 24 meses. Em determinadas lojas, este prazo pode até ser mantido, mas fica tão caro pelo aumento dos juros que não vale a pena, conforme ele explicou.

Restante da população
De acordo com Barbato, a classe A sempre consumiu produtos eletroeletrônicos e continuará consumindo, mesmo com a crise. Já a classe B comprará com mais "parcimônia", nas palavras do presidente da associação. "As classes C, D e E dependem muito da conjuntura. Elas percebem o preço na loja e se tem crédito", explicou.

Ele ainda explicou que estas classes da base da pirâmide social são guiadas pela segurança no emprego, que dita se elas continuarão consumindo ou não, inclusive em momentos de crise.

Expectativas
Antes da crise começar, a expectativa do setor era de crescimento de 11%, não somente para equipamentos que vão para o consumidor, mas também para aqueles usados em infra-estrutura. Nos itens de informática, por sua vez, esta previsão sobe para 30%, sem dúvida nenhuma impulsionada pela classe C.

Até agora não foi feita nenhuma revisão deste número. "Estamos no momento da tempestade. A água ainda não abaixou para vermos os prejuízos", afirmou Barbato. "Nós esperamos que aconteça uma desaceleração no consumo, mas no momento atual, nós não podemos tirar conclusões. A crise não parece estar próxima de seu fim", finalizou.


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