As aplicações em dólar lideraram em outubro o ranking das rentabilidades dos principais investimentos pelo terceiro mês consecutivo. A moeda norte-americana se valorizou fortemente graças ao pânico instalado nos mercados, num movimento costumeiramente chamado de “fly to quality”, ou “vôo para a qualidade”. “A alta ocorreu devido à grande procura por títulos do governo dos Estados Unidos”, afirma o administrador de investimentos Fábio Colombo. O dólar comercial encerrou o mês com alta de 13,35%, cotado a R$ 2,156. Se for considerado o dólar Ptax (média das operações de câmbio ao longo do dia), a valorização é de 10,50% no mês.
Com o avanço recente, o dólar chegou a alcançar uma cotação máxima de R$ 2,532 durante o dia 23. Em conseqüência da valorização da moeda norte-americana, os fundos de investimento cambiais também registraram uma forte rentabilidade acumulada em outubro.
A Bolsa de Valores de São Paulo, na outra ponta, representou o pior investimento pelo quinto mês seguido. O Ibovespa, principal índice de ações do mercado paulista, encerrou outubro com baixa acumulada de 24,80%. O mês foi verdadeiramente negro para as ações. Nos 23 pregões de outubro, as negociações foram interrompidas cinco vezes – duas delas num só dia – pelo circuit breaker. O mecanismo paralisa as operações quando a queda do índice supera 10%. “O investidor que vendeu ações gradativamente durante o longo processo de alta deve continuar a comprar gradativamente durante as baixas”, recomenda.
Na opinião do sócio da consultoria Beta Advisors, Rogério Betti, o pior do mercado de ações talvez já tenha passado. “Particularmente, acredito nisso”, afirma. “Teremos ainda um período de instabilidade na Bolsa. A situação deve continuar ruim, mas um pouco melhor do que o esperado.”
Investimentos conservadores
Aplicações mais conservadoras, atreladas a juros, ficaram na porção média do ranking de investimentos. A taxa do Certificado de Depósito Interbancário (o CDI), que representa os juros cobrados nos empréstimos feitos entre os bancos, encerrou o mês em 1,17%. Com isso, os fundos DI tiveram rentabilidade de 1,04% em outubro.
Os Certificados de Depósito Bancário (os CDBs) – títulos emitidos pelos bancos – prefixados com prazo de vencimento em 30 dias apresentaram rentabilidade de 1,07%. Os fundos de renda fixa, por sua vez, renderam 1,04%. “Estes fundos novamente tiveram rendimento abaixo dos DI, devido às incertezas do mercado”, afirma Colombo, atribuindo a oscilação à marcação a mercado dos títulos incluídos no portfólio de investimento destas aplicações. As carteiras de renda fixa são compostas basicamente por títulos prefixados, que perdem valor quanto as taxas de juros sobem – como foi o caso neste mês. “São opções de diversificação para investidores moderados e agressivos.”
Na “porção conservadora” dos investimentos há boas oportunidades no momento, avalia Betti. “Há títulos públicos e CDBs oferecendo juros muito atraentes para o investidor avaliar”, afirma.
Já o ouro negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) caiu fortemente em outubro. A cotação do grama terminou o mês em R$ 51, com queda acumulada de 5,38%.
Dentre as aplicações mais conservadoras, a poupança ficou para baixo no ranking, rendendo 0,75% em outubro.