O dólar inverte a tendência mostrada no último pregão e opera em baixa nas negociações desta quarta-feira (11). Por volta das 9h30, a moeda americana era negociada a R$ 1,640, com recuo de 0,42%. Na abertura, marcou R$ 1,640.
No mercado futuro, os contratos de julho negociados na BM & F declinavam 0,24%, a R$ 1,647.
Na terça-feira (10), a subida global do dólar se refletiu no mercado brasileiro de câmbio, e a moeda norte-americana terminou o dia com uma alta expressiva de 1,23%, a R$ 1,647.
"Foi o ambiente externo", resumiu Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros.
O motivo para a escalada mundial da moeda foi a perspectiva de que os juros nos Estados Unidos devem voltar a subir para conter a ameaça inflacionária.
Na noite de segunda-feira, o chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, engrossou a voz contra o aumento dos preços de energia e os efeitos sobre a inflação, demonstrando preocupação menor com a desaceleração econômica.
Quando os juros nos Estados Unidos sobem, as aplicações no país se tornam mais atrativas, valorizando o dólar em relação às outras moedas. Nos últimos meses, o Federal Reserve vinha cortando os juros para evitar uma recessão provocada pela crise nos setores imobiliário e de crédito.
Bolsa
A queda de mais de 2% da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) completou o ambiente para a alta do dólar no Brasil. Mas, segundo Arruda, a baixa das ações não empurrou diretamente o dólar.
"Os investidores externos saem de bolsa e compram futuros de juros. Não estão saindo do mercado brasileiro", disse.
Fluxo negativo
De acordo com Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper, no Rio de Janeiro, o mercado chegou a registrar um fluxo negativo nesta sessão. A saída de recursos do país, porém, não era suficiente para explicar a intensidade da alta da moeda norte-americana.
"Cenário de bolsa ruim, inflação, possível aumento de juros internacionais. Tudo isso corrobora com essa alta", afirmou.
Leilão
No final da sessão, o Banco Central realizou o habitual leilão de compra de dólares no mercado à vista, com poucos efeitos sobre a taxa de câmbio. Foi aceita apenas uma proposta, segundo um operador, com taxa de corte a R$ 1,6486.