A pujança do mercado de capitais já começa a seduzir jovens investidores – os dados da Bovespa indicam que 48% das pessoas que passaram a aplicar na bolsa ao longo desta década têm entre 25 e 35 anos. Para o consultor e escritor Gustavo Cerbasi, autor de livros sobre finanças pessoais, a migração dos jovens para o mercado de capitais é uma conseqüência natural da estabilidade. Afinal, eles passaram a maior parte da adolescência habituados com uma inflação sob controle e tiveram condições de aprender o be-a-bá da bolsa de valores. É uma conjuntura bastante diferente daquela enfrentada por seus pais e avós, que viviam acuados pela hiperinflação e recorriam a alternativas mais seguras – como a caderneta de poupança ou os imóveis – para garantir a valorização de suas economias. Cerbasi, porém, faz um alerta: essa mudança de paradigma exige um novo tipo de aprendizado na área financeira. “Estes neoinvestidores fazem parte de uma geração que acha que será fácil enriquecer rapidamente, mas não é bem assim”, explica ele.
A educação financeira das novas gerações, diz Cerbasi, deve apresentar duas qualidades: planejamento e equilíbrio. “Planejar significa gastar o máximo dentro de um limite, de modo que o sujeito tenha dinheiro para cuidar de seu futuro”, ensina. Segundo o especialista, a pessoa que deseja ter uma aposentadoria tranqüila deve guardar entre 15% e 20% de sua renda mensal. E é aí que entra a parte do planejamento: ela também deve escolher onde aplicar esse dinheiro. Opções não faltam – Cerbasi recomenda que o investidor peça ajuda a um gerente de banco, analistas de investimentos ou simuladores da internet. Tudo isso deve ser feito sem que o investidor tenha de abrir mão de qualidade de vida. “Não se deve abandonar o convívio com os amigos, por exemplo. Poupar demais pode significar uma vida presente muito pobre”, recomenda. Cerbasi será um dos palestrantes da 2ª edição da ExpoMoney, em Porto Alegre, que começou nesta quarta (21).