É preciso fortalecer o setor do plástico
24 de setembro de 2008 às 00:06
Por Fábio Piagentini - www.administradores.com.br
Você já percebeu a importância que o plástico tem na nossa vida? Brinquedos, veículos, calçados, aparelhos eletroeletrônicos, eletrodomésticos, embalagens... É praticamente impossível imaginar um produto que não contenha esse ingrediente. Presente no dia-a-dia das pessoas, o material é imprescindível para a atividade de muitas empresas.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), o país tem 11.263 indústrias de transformação, que formam a terceira geração (a primeira e a segunda envolvem a indústria petroquímica) da cadeia produtiva e respondem por mais de 317 mil empregos. Levantamento da entidade mostra que, no ano passado, o setor representou 1,45% do Produto Interno Bruto (PIB), com faturamento de U$ 18,69 bilhões, o que significa um crescimento de 8,71% em comparação a 2006. O consumo aparente de transformados plásticos (soma da produção com importação, excetuando a exportação) teve aumento de 8,69%, atingindo 4,95 milhões de toneladas.
No cenário nacional, o Estado de São Paulo lidera o ranking de empresas e de trabalhadores - 142.221 pessoas atuam em 5.113 fábricas. Dados recentes da Secretaria da Fazenda paulista apontam que o segmento químico-petroquímico, no qual está a cadeia do plástico, recolheu R$ 13,5 bilhões de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), o equivalente a 26,9% da receita total do tributo.
Na esfera estadual, o segmento plástico tem papel fundamental nos sete municípios que compõem o Grande ABC (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), sendo uma das atividades que mais geram emprego e renda. A forte presença do setor remonta à vocação da região. Considerado berço da moderna indústria brasileira, com destaque para os ramos automobilístico e petroquímico, o ABC paulista passou por um processo de transformação. A saída e chegada de empresas, a intensa mudança tecnológica e a reorganização dos principais complexos produtivos fizeram com que o plástico se tornasse uma alternativa promissora ao desenvolvimento local.
Exemplo recente dessas mudanças é a fusão da Polietilenos União, Petroquímica União, Unipar Divisão Química, Suzano Petroquímica, Rio Polímeros e a Petrobras, formando a Quattor, a segunda maior petroquímica do país, com um faturamento anual de R$ 9 bilhões e capacidade de produção de 1,9 milhão de toneladas de resinas. A criação da companhia, reflexo dos bons ventos da economia nacional, faz frente à concorrência estrangeira, que ainda tem participação considerável no mercado interno. Aliás, convém destacar que a política industrial brasileira para o setor prevê justamente medidas destinadas a aumentar a competitividade das empresas e a exportação.
Nesse cenário, o Grande ABC tem visto uma série de ações que visam fortalecer a cadeia do plástico. Como exemplo, há as iniciativas do Grupo de Trabalho (GT) Petroquímico Plástico, que reúne poder público, empresários, associações, instituições de pesquisa, sindicatos e entidades do segmento. Entre as bandeiras do GT estão a luta pela redução da alíquota do ICMS de 18% para 12%, o apoio à criação do Arranjo Produtivo Local (APL) do Plástico e a ampliação do Pólo Petroquímico do Grande ABC, que emprega cerca de 2 mil trabalhadores.
Outra importante iniciativa na região é o Plano de Desenvolvimento Setorial (PDS) do Plástico. O programa, elaborado pela Abiplast, Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Prefeitura de Santo André, visa fortalecer as indústrias de transformação. Vale mencionar também a formação do Condomínio Tecnológico Industrial do Plástico, para abrigar as indústrias de transformação, e o suporte do Centro de Informação e Apoio à Tecnologia do Plástico (Ciap) às pequenas empresas do ramo.
Como resultado dessas ações, o ABC paulista será palco, agora em setembro, de um dos mais importantes eventos do setor no país. Batizado como "Grande ABC, a Capital Nacional do Plástico", a iniciativa inclui o VII Seminário do Setor Plástico do Grande ABC e a III Rodada de Negócios Plásticos. A finalidade é debater os rumos da cadeia produtiva e gerar oportunidades para a realização de negócios entre as empresas do segmento. Ao aliar teoria com prática em um mesmo evento, certamente o Grande ABC estará dando um importante passo para se tornar, de fato, a capital nacional do plástico.
Fábio Piagentini é empresário, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Santo André (Acisa) e secretário de Desenvolvimento Econômico e Ação Regional de Santo André. E-mail: fpiagentini@santoandre.sp.gov.br
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