5 perguntas sobre o Novo Cenário Econômico

Cenário político nacional continua conturbado, o que mexe com as expectativas econômicas para 2017. Economista indica caminhos para um ciclo virtuoso

Luciana Brafman, Órama Investimentos,
iStock

Atualmente, pouco mais de seis meses do início do governo Michel Temer, o cenário político interno continua conturbado, o que mexe com as expectativas econômicas para 2017. Neste “5 perguntas”, o economista da Órama e professor do Ibmec, Alexandre Espirito Santo, explica alguns gargalos do cenário brasileiro e indica caminhos para um ciclo virtuoso.

1. Alexandre, qual é o cenário agora?

Alexandre Espirito Santo: Após seis meses de governo Michel Temer, ainda não conseguimos reverter a recessão e o cenário permanece complicado. O crescimento foi adiado para 2017. Os principais indicadores da economia, como o PIB, a taxa de investimentos e o consumo das famílias, estão há vários trimestres consecutivos em queda.

2. Por que a expectativa de reversão da economia não ocorreu nestes últimos seis meses?

A equipe econômica “vendeu” a ideia de que, para melhorar, era preciso acertar minimamente as contas, aprovando a PEC dos gastos e sugerindo reformas, como a da Previdência. Tais medidas, embora necessárias, são contracionistas no curto prazo. O que a equipe provavelmente imaginou é que a melhora nas expectativas dos agentes econômicos empurraria o investimento privado para cima e voltaríamos, gradativamente, a crescer. Só que isso ainda não ocorreu, pois as empresas estão muito endividadas.

3. Isso enfraquece a equipe econômica?

O presidente Temer parece ansioso; é natural. Mas, se esvaziar sua equipe econômica, será um tiro no pé. Há um consenso entre os economistas, mesmo os mais ortodoxos, que é preciso ousadia nesse momento. O problema é se a equipe está confortável o suficiente para ser audaz, como a urgência da situação requer.

4. Qual é o principal gargalo? 

A PEC do teto, já aprovada, é uma medida importante, mas não suficiente para uma reversão sustentada, pois o pior problema é a previdência. Se nada for feito, em menos de uma década o buraco com aposentadorias, mais o pagamento da folha salarial do governo, consumirá toda a receita e faltarão recursos para investimentos fundamentais, como em saúde e educação.

5. Como mudar este quadro?

A economia parece estar com um enfisema, morrendo asfixiada. É preciso oxigenar fortemente o ambiente econômico. O Banco Central deveria, com audácia, promover reduções mais intensas na Selic, pois, com a recessão atual, a inflação não deve ameaçar, o que lhe abre uma janela de oportunidade. Enquanto isso, vamos tocando as reformas de frente no Congresso (previdência e tributária) para que o lado fiscal faça sua parte e voltemos a crescer.


Fique informado

Receba gratuitamente notícias sobre Administração