Economia forte = investment grade

Apesar de toda a crise financeira internacional, o Brasil se encontra bastante fortalecido no momento atual, haja vista a conquista do selo de grau de investimento, concedido na primeira quinzena de maio pela agência de classificação de riscos Standard & Poor’s. Os problemas internos nos Estados Unidos vêm abrindo espaço para que os países emergentes, principalmente os que compõem os BRICs, consigam absorver uma parte da fatia dos investimentos mundiais, que hoje começam a sair das mãos dos norte-americanos.



O Brasil cresceu 5,4% em 2007, de acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ainda na primeira quinzena de março. Os números do crescimento do PIB ficaram acima da previsão inicial que era de crescimento de 5%.



O dólar continua caindo e deve cair ainda mais, de acordo com a previsão de analistas econômicos. Essa tendência de baixa da moeda norte-americana dificilmente será contida pelo Banco Central que poderá apenas controlar a velocidade da queda, entrando com um leilão de compra de dólar. Esse sintoma, obviamente, afeta as exportações, mas não é prejudicial à economia brasileira. O dólar mais barato aumenta a competitividade da indústria nacional que poderá investir em máquinas e equipamentos. Muitos setores já estão aproveitando essa baixa da moeda norte-americana para importar equipamentos e componentes.



Em linhas gerais, a economia brasileira vai muito bem obrigado, a começar pelo controle da inflação, que apesar de estar um pouco acima dos índices de 2007, mas está abaixo da meta de 4,5% estabelecida para este ano. O controle inflacionário é reflexo direto da política adotada na redução da taxa básica de juros, definida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), que hoje está em 11,25% ao ano.



Por conta das sucessíveis quedas na taxa básica de juros, definidas pelo COPOM, a pesquisa do IBGE mostrou que as famílias estão consumindo mais no país por causa de aumentos nos salários. O consumo das famílias teve alta de 6,5% e esse resultado foi favorecido por uma alta de 3,6% nos salários dos trabalhadores. Além disso, houve um crescimento de mais de 28% na concessão de crédito à pessoa física.



Para este ano o quadro geral está bem favorável, no que se refere a crescimento econômico; aumento do poder aquisitivo; crescimento do número de abertura de capitais; aumento da arrecadação tributária, por conta do cerco fiscal às irregularidades e informalidades; implantação da nova legislação contábil; fusões de grandes empresas como Bovespa e BM&F, anunciada na última semana de março, entre outros. Aliás, a previsão da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), é de que o ritmo de fusões e aquisições continue crescendo e atribui essa previsão de alta ao grande número de IPOs (ofertas públicas iniciais) que ocorreram em 2007, quando as empresas conseguiram captar investimentos e agora buscam expansão comprando ou se unindo a outras corporações. Tudo isso colocou o Brasil, diante dos investidores, como um país com grau de investimento seguro.



E por falar em IPO, uma expectativa do mercado de capitais para 2008 é no crescimento do chamado middle market. No ano passado a Bovespa bateu seu recorde de 2006 com mais de 60 empresas entrando no Novo Mercado com oferta de ações. Para este ano, as previsões estão voltadas para o segmento das pequenas e médias, haja vista que o primeiro IPO de 2008 foi da Nutriplant, listada no segmento de balcão Bovespa Mais, e que foi assessorada pela BDO Trevisan.



O início deste ano está sendo completamente favorável para os negócios no Brasil e que coloca o país numa posição de destaque no mercado internacional. Com o cenário econômico favorável em 2008, com boas alternativas de captação de recursos e oportunidades de mercado, mais organizações deverão abrir o capital. Essa nova geração de companhias terá níveis superiores de governança corporativa.



Destaco também a aprovação da nova legislação contábil (Lei 11.638), que alterou as normas de contabilidade do país adequando-as aos padrões internacionais IFRS (International Financial Reporting Standards). Os reflexos positivos dessa nova legislação não se limitam ao impacto favorável na atração de investimentos. Há todo um ganho de qualidade e conseqüências favoráveis para economia brasileira. Com padrões universalmente conhecidos, com mais auditoria e melhor divulgação das informações facilita-se análise de crédito, reduz-se o spread bancário e os juros para o capital produtivo, entre outras coisas. Estamos no caminho.



Eduardo Pocetti é CEO da BDO Trevisan e diretor de assuntos internos do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon).

E-mail: pocetti@bdotrevisan.com.br


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