A agenda de dados econômicos foi carregada na última semana, e mostrou que as perspectivas para a atividade econômica nos Estados Unidos, nos próximos meses, são preocupantes.
O lado do consumo apontou fragilidade, com as vendas no varejo caindo 1,2% em setembro (MoM) e permanecendo estável em relação ao mesmo período do ano passado. A piora das condições do mercado de trabalho e o sentimento de pessimismo difundido após o agravamento da crise financeira devem manter o ambiente sombrio para o consumo nos próximos meses. Isto já se reflete na queda do índice de confiança do consumidor, conforme apontado pelo levantamento realizado pela Universidade de Michigan.
O lado da produção também seguiu a mesma tendência, com todos os indicadores mostrando enfraquecimento da atividade. A produção industrial apresentou em setembro a maior queda mensal desde 1974 (2,8%), mas tal resultado foi justificado pelo Fed por conta da ocorrência de furacões no período, além da greve da Boeing. Mesmo assim, outros indicadores foram na mesma direção: o índice de manufatura calculado pelo Fed Philadelphia recuou para -37,5 em outubro, o menor desde 1990. Já o índice Empire Manufacturing caiu para -24,6, o menor da série histórica deste indicador, calculado desde 2001.
Esta situação de piora das condições da economia foi oficialmente confirmada pelo Livro Bege do Fed, também anunciado na última semana. Segundo o Fed, a manufatura desacelerou e o crédito apertou em todo o país, enquanto que o gasto com consumo se enfraqueceu em quase todas as regiões. O housing segue frágil na maioria das áreas e há níveis reduzidos de demanda para bens relacionados às residências. Em suma, o Federal Reserve mencionou que “aumentou o pessimismo sobre as perspectivas para a economia”. Ou seja, não há boas notícias neste momento.
Para esta semana, serão poucos os indicadores a serem divulgados. De destaque, leading indicators, pedidos de auxílio desemprego e vendas de casas existentes.
China: Atividade econômica dá novos sinais de desaceleração
Dados divulgados nesta segunda-feira mostraram redução do ritmo de crescimento do PIB chinês no 3º trimestre (YoY) pelo quinto trimestre consecutivo, para 9% (de 10,1%). É a primeira vez desde o quarto trimestre de 2005 que o PIB do país apresenta crescimento abaixo de dois dígitos na comparação anual.
A produção industrial de setembro também seguiu na mesma tendência, com crescimento de 11,4% ante o mesmo mês de 2007. O número veio abaixo das expectativas (13,4%) e do observado em agosto (12.8%), mostrando que a desaceleração mostrada no mês anterior não foi causada apenas pela diminuição da produção durante os Jogos Olímpicos. Ou seja, há sim uma desaceleração dos dados de atividade econômica no país, o que deve gerar um menor ritmo de crescimento do PIB nos próximos anos para algo em torno de 8,0% a 9,0%.
Por fim, neste contexto de redução da atividade, a inflação também acompanha a trajetória de baixa. O CPI ficou em 4,6% em setembro, na comparação com setembro de 2007, ante 4,9% observado em agosto.