Economia sustentável já não assusta pequenas empresas

À primeira vista, a sustentabilidade ambiental de um negócio pode significar aumento de custo e exclusão de pequenos negócios. “Mas não podemos enxergar apenas as barreiras. Temos de nos antecipar a elas e criar oportunidades”, defende o gerente da Unidade de Acesso à Inovação Tecnológica do Sebrae Nacional, Paulo Alvim.

O tema foi discutido no seminário 'Desenvolvimento Sustentável: Desafios e Oportunidades para Micro e Pequenas Empresas', realizado durante a Conferência Latino-Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social (Ecolatina), nesta quinta-feira, em Belo Horizonte (MG).

Segundo Alvim, os pequenos negócios de cadeias já tradicionais precisam de orientação para se adequar. “Temos estimulado a preocupação ambiental principalmente com o esforço para redução de resíduos, porque esse processo normalmente diminui custos e isso desperta o interesse do empresário”, explica.

O esforço de pequenos negócios para aumentar a eficiência de suas matérias-primas e recursos naturais e assim diminuir o lixo tem sido apoiado pelo projeto Produção Mais Limpa, uma parceria entre o Sebrae e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Por meio de consultorias especializadas e sensibilização de empresários, a iniciativa conseguiu, em suas duas primeiras fases, reduzir os custos das empresas atendidas em R$ 23,6 milhões.

“A produção mais limpa traz diminuição na geração de efluentes e resíduos, segurança, atendimento à legislação e redução de custos”, defende a diretora do CEBDS Beatriz Bulhões. Segundo ela, a ecoeficiência em pequenas empresas não tem, necessariamente, que passar por grandes investimentos. “Às vezes são iniciativas simples de organização do lay out ou de melhoria de um processo”, exemplifica.

Por outro lado, produtos e serviços que já nascem dentro de um padrão ecologicamente correto também têm gerado negócios. “Já assistimos o surgimento de cadeias produtivas completamente adaptadas à nova lógica”, diz Beatriz. É o caso, segundo Alvim, da agricultura orgânica, que vai além da produção em si e abrange a logística de transporte e comercialização e as embalagens. “Hoje compramos no supermercado vegetais orgânicos envolvidos em isopor e filme plástico. Já estão em desenvolvimento embalagens de fibras vegetais”, conta.

Créditos de Carbono

Entre as oportunidades para pequenos empreendedores dentro da economia sustentável está o comércio de créditos de carbono. O Protocolo de Quioto obriga países desenvolvidos a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa ou a compensar sua incapacidade de deixar de poluir comprando projetos que evitem a produção dessas substâncias de outros países. Com isso criou-se um mercado do qual o Brasil pode se beneficiar, segundo o consultor de responsabilidade social corporativa do Sebrae, Nelson Franco.

Ele explicou aos empresários o processo para que os créditos possam ser vendidos e reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), o que envolve a apresentação de projetos que obedecem a critérios de sustentabilidade, sua certificação e monitoramento permanentes. “É difícil para a pequena empresa entrar sozinha nesse mercado mas, de forma conjunta, isso fica perfeitamente viável”, defende Franco.

Durante o seminário, o diretor de suprimentos da Refinaria Gabriel Passos, a unidade da Petrobras instalada em Betim (MG), falou sobre o trabalho apoiado pelo Sebrae para a inserção de micro e pequenas empresas na cadeia do petróleo e gás, uma das mais exigentes ambientalmente.

“A Petrobras tem a maior carteira de investimentos do Brasil, são US$ 112,4 bilhões nos próximos cinco anos. Sabemos que é difícil para o pequeno negócio participar disso sem apoio”, diz. “As grandes empresas têm papel fundamental de acelerar o processo de inclusão das pequenas na lógica do desenvolvimento sustentável”, acredita Paulo Alvim.


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