Até que ponto vale a pena abrir um negócio?

De acordo com a Pesquisa de Sobrevivência das Empresas no Brasil, realizada pelo Sebrae em 2016, a taxa média de sobrevivência das empresas no Brasil é de 77% na média nacional

Redação, Administradores.com,
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Ser dono de seu próprio negócio não é uma tarefa fácil como muitos pensam. É preciso ter determinação, disciplina, controle financeiro, muito planejamento e muitas horas de trabalho. Se você está pensando que vai trabalhar menos e terá mais dias de folga, esqueça! Pelo menos no início de seu negócio serão necessárias muitas horas de planejamento e 24 horas serão poucas para colocar a casa em ordem até dar um resultado financeiro estável.

De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2016, o Brasil é um dos países que mais tem empreendedores – seja por opção ou por falta de emprego. Tudo leva a crer, apesar de ser um ano de eleições e copa, que 2018 será um ano positivo e de crescimento para os empreendedores voltados, principalmente, para os segmentos de criatividade e tecnologia.

Com o objetivo de ajudar as pessoas que queiram empreender e corra menos riscos, conversamos com Kleber Fabiano, executivo sênior de Finanças da innovativa Executivos Associados que traz dicas importantes para quem deseja investir em seu negócio próprio.

1. É preciso que todo empreendedor faça um “Business Plan”, ou seja, um Plano de Negócio. O Business Plan é o documento dos objetivos de seu negócio e quais os passos que devem ser seguidos para reduzir riscos, incertezas e quais os caminhos que devem ser seguidos para alcançar o sucesso. Com o plano de negócio é possível identificar erros mais rapidamente.

Os principais pontos do plano de negócios são: determinar o segmento que será investido; principais produtos e serviços que a empresa irá oferecer; principais clientes; localização da empresa; capital investido; faturamento mensal; lucro esperado e em quanto tempo terá retorno do capital investido.

Abertura de empresa - De acordo com Kleber Fabiano, é preciso constituir sua empresa de forma jurídica: Microempreendedor Individual (MEI); Empresário Individual; Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) ou Sociedade Limitada. Procure um contador que ele apresentará a melhor opção para seu negócio. “Fique de olhos na cobrança de impostos. Cada regime jurídico exige pagamentos diferenciados. Por exemplo, empresas optantes pelo Simples devem ficar atentas à cobrança de: IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica); PIS (Contribuição para os Programas de Integração Social); COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social); CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido); IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados – destinados somente para indústria); ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercado – para indústria, comércio e serviços de transporte intermunicipal e interestadual) e ISS (Impostos sobre Serviços – para prestadores de serviços). Analise todas as possibilidades com seu contador, para que não seja surpreendido pelo “leão””, ressalta Kleber.

2. Capital que será investido na empresa. Entende-se por capital (dinheiro, equipamentos, ferramentas, etc) aplicado pelo empreendedor ou pelos sócios-proprietários. “É importante nesta fase que seja realizado uma Formalização Societária – caso haja – e determinado o pró-labore do empreendedor ou dos sócios-proprietários. A maioria dos empreendedores acabam utilizando o dinheiro da empresa para efetuar pagamentos de contas particulares. Isto pode trazer grandes problemas de controles financeiros na empresa e dores de cabeça com o fisco. Separe as contas da empresa de sua vida particular. Desta forma, seu negócio terá uma vida financeira saudável. Um detalhe importante. Se a empresa tem intenções de atrair capital de terceiros – como bancos e investidores – é preciso que a parte financeira esteja em dia. O primeiro item avaliado por investidores é a questão financeira e é claro a viabilidade do negócio”, relata Kleber.

Em caso de empréstimo bancário é essencial ter demonstração contábil fidedigna, para que fique claro para o banco ou investidor o real objetivo da solicitação dos recursos. “A necessidade pode estar ligada ao crescimento da empresa ou a um evento pontual, não configurando descontrole ou má gestão. A qualidade dos relatórios gerenciais ou projeções é fundamental, pois demonstra excelência na gestão. Os credores querem conhecer a real capacidade de solvência da empresa. O fluxo de caixa real e projetado é a ferramenta primordial nesta avaliação”, complementa.

3. Instituição do pró-labore: Retirada mensal do empreendedor ou dos sócios-proprietários. Não se esqueça que este valor é tributado e sujeito ao recolhimento de Imposto de Renda e Previdência.

4. Conhecimento em detalhes dos potenciais clientes e dos concorrentes. “É necessário que eu saiba se o negócio tem um diferencial competitivo, como: marca; preços adequados; prazos de entrega; se terá inovação; logística; formas de pagamentos, entre outros”, explica.

5. Marketing de sua empresa – Hoje com a facilidade da internet há inúmeros caminhos para divulgar sua empresa seja através de redes sociais ou de campanhas mais elaboradas de marketing (com propagandas em rádio, jornal e revistas. Ou ainda malas diretas, catálogos e participação em feiras e eventos). “Tome muito cuidado com a forma que será divulgada sua empresa. Uma campanha não muito bem elaborada pode ser um tiro no pé. A exposição de sua marca é extremamente importante, mas a forma de como será divulgado seu negócio pode ser ou não a chave do sucesso”, ressalta.

Hoje as empresas enfrentam um grande desafio que é a era digital. “Não há como ficarmos longe desta facilidade tecnológica. Ela reduz custos, ajuda nos contatos comerciais, mas não podemos esquecer do contato físico. O olho no olho ainda traz ótimos resultados e fortifica relacionamentos que a tecnologia ainda não alcançou”, comenta Kleber.

Para os executivos da innovativa ter um negócio próprio no atual cenário econômico é uma opção positiva. Com a economia dando sinais de recuperação, mesmo que ainda a passos lentos, empreender pode ser uma boa alternativa para os brasileiros. “O que o empreendedor precisa ter consciência é que empreender no Brasil é um grande desafio, principalmente, pelas incertezas que vivemos a cada dia. Mas o sucesso pode ser sim alcançado com um bom planejamento, garra, dedicação”, finaliza.

De acordo com a Pesquisa de Sobrevivência das Empresas no Brasil, realizada pelo Sebrae em 2016, a taxa média de sobrevivência das empresas no Brasil é de 77% na média nacional. As maiores causas que levam as empresas a fecharem seus negócios são: falta de um plano de negócio prévio; gestão adequada, impostos e atitude empreendedora.

A innovativa tem recebido diversos casos em sua consultoria que justificam exatamente a pesquisa do Sebrae. “A maioria fecha por falta de um plano de negócio bem detalhado. Boa parte dos empreendedores não realiza, porque exige tempo, pesquisa e análises, mas é fundamental para a saúde e a sobrevivência de uma empresa”, ressalta Carlos Macedo, diretor executivo da innovativa Executivos Associados.