Empreender para surpreender

Os anos passam, as coisas mudam, e as pressões nos jovens continuam. Que não é fácil ser jovem no Brasil (ou em qualquer canto do mundo) qualquer um sabe. "Estude!". "Arrume emprego!". "Faça diferente!". Receber cobranças, no entanto, é fácil. Encarar as dificuldades do país é que são elas. Cada vez mais, o emprego - aquele da definição tradicional: registrado, estável, bonitinho - é um artigo raro. Assim, o que fazer?

Nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais popular o conceito de empreendedorismo. Mas, o que é isso? Como aprender a tirar as idéias do papel e avançar nesse sentido? O brasileiro, tradicionalmente, não é preparado para ter seu próprio negócio. Mais do que isso, muitas das instituições de Ensino Superior ainda não se preocupam em preparar o jovem para encarar as dificuldades da economia.

"O brasileiro, de maneira geral, não cresceu na cultura do empreendedorismo. Não está preparado para isso", diz o presidente da Conaje (Confederação Nacional dos Jovens Empresários), Doreni Caramori Júnior. "As próprias universidades ainda deixam um pouco a desejar nesse sentido. Eu, particularmente, não aprendi a ser empreendedor, mesmo em uma faculdade de Administração. Aprendi a administrar o dinheiro dos outros, mas não a multiplicar o meu."

Diga lá, não é assim que você se sente? Para muitos, essa é uma grande realidade. Não são todas as universidades que enxergam o próprio potencial para formar empreendedores. É preciso reconhecer, porém, que já existem (bons) exemplos de professores que levam o incentivo ao empreendedorismo para dentro das salas de aula (quer conhecer alguns? Clique aqui, então). Muitos desses, inclusive, se transformam na mola propulsora para que os alunos adotem a prática e mudem sua perspectiva.

"Hoje, muitos consideram o jovem como um problema para a sociedade, porque ele não tem emprego. Agora, se apostar no empreendedorismo, abrir seu próprio negócio e gerar emprego, ele passa a ser uma solução. Além do seu, ele passa a resolver o problema de mais uns três ou quatro", explica Caramori Júnior. "É um ciclo que precisa e pode ser invertido. Estimular o empreendedorismo na universidade e o de oportunidade é uma solução de qualidade."

Veja, abaixo, duas histórias de alunos que tiveram oportunidade de desenvolver o empreendedorismo a partir da universidade e conheça a maneira como eles encaram essa situação:

Pode dar certo!

Veja este caso: Alexandre Padro estava no último período do curso de Computação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Precisava, na época, escolher as disciplinas que iria cursar. Entre as optativas, escolheu Empreendedorismo - que, aparentemente, tinha pouca relação com o seu curso. Nela, teve contato com um professor que incentivou a prática. O cenário, então, mudou.

"A aula era baseada em exercícios e apresentação de casos de sucessos. No meio de um exercício, que era a elaboração do plano de negócios, eu e um colega, percebemos que nossa idéia, baseada no TCC desse amigo, era interessante", conta Padro. "Foi aí que a gente resolveu abrir a empresa, apostando em um trabalho que era só para cumprir tabela..."

A idéia tomou de assalto os dois amigos. Duas semanas depois de se formar, arriscaram suas economias e abriram a empresa. Aproveitaram o plano de negócios desenvolvido na aula, com o professor (o trabalhinho que 'cumpriu tabela'), e desenvolveram seu próprio empreendimento. Em janeiro, a empresa completou DEZ ANOS.

Não se engane, porém, de achar que foi tudo por acaso. Dentro da sala de aula os então colegas, depois sócios, ganharam base para arriscar com consciência. Foi ali, na classe, que tiveram contato com o tema, desconhecido, até então - e, para muitos alunos da carreira, 'desnecessário'. "Não existia a discussão do empreendedorismo no curso. Aquela era a única disciplina que discutia o tema, o empreendedorismo era um corpo estranho lá. Mas quem não cursou, não tinha embasamento", diz Padro.

Engatinhando...

Parte das universidades que apostam no empreendedorismo o faz de forma combinada. Ao mesmo tempo em que os professores levam o tema para a sala de aula (e é lá que, no relacionamento diário, o aluno ganha confiança), a instituição cria condições para o desenvolvimento dos alunos. É o que acontece, por exemplo, com as empresas juniores, em que os alunos passam a ter contato com gestão desde cedo - e também são incentivados a tomar decisões empreendedoras.

"Além de ter várias matérias que abordam a questão, os professores dão muito apoio para quem quer apostar no empreendedorismo. Se algum aluno está abrindo uma empresa, por exemplo, eles até ajudam com o projeto", afirma Gustavo Bahdur Bruzadin, diretor de RH da Ibmex, empresa júnior do Ibmec MG (não conhece a Ibmex? Então clique neste link). "Inclusive, um participante da EJ está abrindo um negócio próprio e os professores estão ajudando a criar a estrutura, revisando o plano de marketing."

A relação na empresa júnior estende - muito - o contato diário da sala de aula. Na classe, os professores orientem, ensinam e incentivam o empreendedorismo. No dia-a-dia da EJ, cobram resultados, revisam projetos e propostas e mostram para o aluno o lado prático da gestão. "Acho que isso é algo que vem da instituição. Tratamos o tema em todas as aulas, desde as matérias de finanças, até as de gestão de carreiras. A visão que eles têm, do método de ensino, parece estar focada nisso", diz Bruzadin.

Para todos, indistintamente

Os dois exemplos acima mostram que 'aprender' empreendedorismo não é algo impossível. Muito pelo contrário. O apoio da instituição de Ensino Superior ao empreendedorismo pode ser uma alavanca para uma mudança positiva no cenário sócio-econômico. E isso, independente do curso.

"Não dá para se falar em desenvolvimento econômico sem falar em empreendedorismo. Estimular essa vertente nos jovens é fundamental", crava Caramori Júnior. "Só que ainda não se entendeu que o empreendedorismo não se faz só com políticas públicas ou a partir de questões pessoais. É uma soma dos dois e a universidade entra nos dois pontos, difundindo a cultura empreendedora."

Para Bruzadin, ainda na graduação, ter esse contato na sala de aula mudou a idéia que fazia do tema. "Com certeza, esse tipo de educação empreendedora que a gente vê aqui, e que sabemos que tem outros lugares, é muito importante. Não só para abrir um negócio próprio, mas também para ter uma postura diferente dentro de uma empresa, mesmo como funcionário, e ajudar a encontrar soluções", finaliza.






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Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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