Empresa usa frutas exóticas para crescer no mundo dos cosméticos

Nos poemas de João Cabral de Melo Neto ou nos adereços de Carmen Miranda, as frutas brasileiras singraram mundo afora e se tornaram conhecidas. E, agora, é o mercado de cosméticos que aposta na boa performance delas, como no caso da marca Brazilian Fruit, de Mogi Mirim, interior de São Paulo, que criou uma linha de produtos com várias espécies da flora brasileira, entre elas o açaí, a castanha do Pará, o maracujá, a pitanga e o guaraná. “São produtos que reúnem a qualidade das frutas na confecção de cosmésticos e o conceito de brasilidade”, afirma Veronika Rezzani, sócia-diretora da empresa.

O açaí, por exemplo, possui princípios energéticos e sua concentração de antocianina (pigmento que previne contra a degeneração celular) é 33 vezes maior que a da uva. “É um hidratante muito eficiente e também suaviza a pele. Já a castanha-do-brasil é rica em ácido oléico, vitaminas e proteínas. Os produtos feitos com essa fruta são ideais para evitar o envelhecimento e ressecamento da pele. A pitanga, por sua vez, é um anti-séptico e emoliente natural”, explica Veronika.

A Brazilian Fruit já exporta para Europa e Estados Unidos e está estruturando as vendas para o Japão. A intenção é que, este ano, as exportações da empresas saltem de 50% para 80% da produção. “O mercado árabe é o próximo passo. Primeiro, optamos por consolidar nossa presença nos principais países da União Européia, como Itália, França, Espanha para depois apresentar os produtos aos árabes, o que deverá acontecer em 2009”, diz Veronika.

Lançada em 2006, durante o principal evento mundial do setor, a Feira Internacional de Perfumaria e Cosmética, Cosmoprof, em Bolonha, na Itália, a marca Brazilian Fruit nasceu direcionada para o mercado externo. Rótulo, formulações foram pensados para atender os importadores. A história da empresária no setor de cosméticos, no entanto, é mais antiga. Há dez anos Veronika e o sócio Gustavo montaram a Gus e Vicki, companhia que fabricava cosméticos para outras empresas colocarem suas marcas. “Em 2005, surgiu a idéia de ter uma marca própria, além de produzir para outras empresas”, conta Veronika.

O passo seguinte foi um intenso trabalho de pesquisa sobre que produto fabricar para que tipo de público. Aos poucos a Brazilian Fruit tomou forma e ganhou fragâncias. As frutas brasileiras, e não apenas as da Amazônia, como já fazem outras empresas do setor, seriam o principal artigo dos produtos da marca. E aí, segundo Veronika, sucedeu-se um período de muito trabalho com perfumistas, químicos, mas também muitas boas surpresas. “Descobrimos frutas que resultavam em produtos de alta performance que, por exemplo, hidratam sem deixar a pele oleosa. Digo que algumas das nossas manteigas podem hidratar, com segurança, uma pessoa no meio do deserto”, conta a empresária.

Gosto do freguês

Produto pronto, adaptado às normas e exigências internacionais e formulação e regulamentação, Veronika fez as malas e foi para Europa vender. Na feira de Bolonha, em 2006, a empresa chamou a atenção com uma linha inovadora: de caipirinha sem álcool. A bebida sinônimo do Brasil primeiro virou brilho labial, depois creme hidratante, esfoliante, sabonete, espuma de banho e chamou a atenção dos compradores. “A receptividade foi fantástica, saímos do evento com vendas fechadas para Portugal e contatos de compradores de vários países”, conta Veronika.

Para desenvolver o produto foram meses de pesquisa. A composição da linha se baseia em extrato de cana-de-açúcar e extrato de limão. “Não leva álcool e proporciona uma sensação de frescor, o que agrada tanto homens como mulheres”, diz a empresária. A ousadia transformou a linha de caipirinha no carro-chefe da empresa.

A empresa, no entanto, não parou por aí, continuou investindo e criando novas linhas. “Descobrimos que frutas que tem mais aceitação em determinados países. Os produtos com açaí, por exemplo, são muito consumidos nos Estados Unidos por conta de ser um produto da Amazônia. Já na Índia, o que mais agradou aos consumidores foi uma linha de cosméticos de pitanga”, diz Veronika. Todos os produtos são testados dermatologicamente e produzidos com uma grande concentração de ativos naturais, sem óleo mineral e sem parabeno (conservante). Um hidratante custa, em média, no mercado europeu, 13 euros. A produção também segue conceitos de responsabilidade ambiental e social. "Compramos insumos de fornecedores preocupados com a sustentabilidade", diz.

Para consolidar a marca, entre 2006 e 2008, a Brazilian Fruit já participou de outras edições da Cosmoprof na Itália e nos Estados Unidos e eventos na Espanha. “Até a princesa Letizia Ortiz (da Espanha) foi presenteada com os produtos da Brazilian Fruit durante um evento de moda em Madri”, conta Veronika. Atualmente, a marca é encontrada em lojas e spas de Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Estados Unidos. Nestes dois últimos, há também sites que comercializam os produtos. “A intenção é, até o final do ano, fechar parcerias na Holanda, Bélgica, Luxemburgo e Japão”, diz. (Cláudia M. Abreu - Agência de Notícias Brasil-Árabe - www.anba.com.br)



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