Empresários brasileiros avançam na Argentina, diz "Clarín"

Em reportagem publicada nesta sexta-feira, o diário argentino "Clarín" destaca, em seu caderno de economia, os investimentos brasileiros no país.

Segundo o jornal, "o avanço das empresas brasileiras sobre os principais setores da economia argentina não se detém", e a missão de empresários que acompanhou o presidente Luís Inácio Lula da Silva em sua última viagem ao país retornou ao Brasil com novas idéias e objetivos estratégicos.

"Depois de comprar os grandes nomes do petróleo, siderurgia, frigoríficos, bebidas, calçados, roupas e materiais de construção, os próximos desembarques [na Argentina] serão nas tecelagens", diz o Clarín, citando os investimentos do grupo Bom Retiro.

"Além disso, se sabe que os brasileiros estão assumindo posições minoritárias em alguns moinhos, mas não são dados nomes."

A reportagem afirma ainda que há empresários brasileiros de olho em processadoras de couro que, atualmente, estariam em mãos mexicanas.

"Os empresários, tanto locais como brasileiros, e os economistas ressaltam que o gigante do Mercosul continua atento àqueles setores em que se pode obter matérias-primas com custos competitivos em termos internacionais, mas que também tenham um mercado local robusto."

As tecelagens argentinas, segundo o jornal, têm vendas anuais de mais de US$ 1 bilhão.

"Diferentemente dos empresários da Europa e dos Estados Unidos, que se assustam com a instabilidade política e as mudanças dos ciclos econômicos da Argentina, os brasileiros parecem estar mais preparados para agüentar os contratempos", afirma o jornal, que ouviu de empresários brasileiros que eles estão acostumados a ver a passagem de diferentes processos econômicos e políticos seguidos de crescimento.

"Há três anos, o crescimento econômico do Brasil era inferior ao da Argentina. Mas os empresários de Lula souberam esperar por tempos melhores", afirma o Clarín.

O jornal comenta ainda que, apesar da invasão brasileira na Argentina, a recíproca não é verdadeira.

"Com financiamento de seus bancos estatais, um mercado interno enorme que ajuda a projetar escalas imensas (fabricar maior quantidade de unidades permite baixar os custos industriais) e uma vocação por seguir fincando bandeirinhas em todo o Cone Sul, os brasileiros ficam com as empresas argentinas, mas aos rio-platenses custa ir mais além das cataratas", afirmam.


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