Flexibilidade nos planos de assistência médica e incentivo às ações preventivas e de gestão da saúde são práticas cada vez mais presentes nas médias e grandes empresas do país. A conclusão é da Hewitt Associates – Divisão Consultoria, que anualmente analisa a prática de benefícios no país, a partir de dados fornecidos pelo RH de empresas de diferentes setores e portes. Este ano, a Hewitt pesquisou 140 empresas atuantes no Brasil.
A relação com os aposentados é um ponto interessante nos dados apurados nesta edição. Das 140 participantes do estudo, 21% mantém assistência médica aos aposentados e somente 13% desse universo arcam com o custo desse benefício. Outros programas voltados a aposentados, como Assistência Odontológica e Auxílio Farmácia, também possuem baixa prevalência, 6% e 2% respectivamente. Gradualmente, as empresas tendem a mudar sua condição de Patrocinadora para Facilitadora de programas pós-aposentadoria.
Ainda em relação à saúde, a média de empresas que revelaram permitir um "up grade" por parte dos colaboradores em seus planos de assistência médica subiu de 60% para 64%, enquanto o sistema de co-participação (em que o funcionário contribui com parte do custo dos serviços utilizados) aumentou de 20% para 24%. A alteração, embora não elevada, demonstra que as empresas continuam buscando caminhos para viabilizar um dos benefícios mais importantes, mas também de maior custo: a assistência médica.
Nesse sentido, outras iniciativas que surgiram nos últimos anos mantém-se presentes e conquistando espaço nas empresas. Entre elas, a adoção de programas de gestão de saúde, voltados a cuidar mais de perto dos colaboradores com quadros complexos, como os hipertensos e diabéticos, por exemplo. Assessorar e despertar a consciência de seus colaboradores para a administração de um plano que garanta seu sossego na melhor idade também já é pauta freqüente nos RH’s. O item "check up" mantém os executivos como principais elegíveis a participarem independente de sua idade. Esta limitação nas empresas ocorre muitas vezes pelo custo que os programas representam, cerca de R$ 1.900 por pessoa.
Seguro de Vida
Este ano, mais empresas reportaram patrocinar o seguro de vida integralmente aos funcionários, de 42% para 49%. Esta condição pode refletir alterações na política de custeio das empresas em função das circulares da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), que estabeleceram, em 2005, novas condições operacionais para planos em que o funcionário contribui.
Cuidados com segurança
Carros blindados e segurança particular são itens que também estão consumindo altos investimentos em grande parte do universo pesquisado. Segundo dados fornecidos neste ano, 67% das empresas disponibilizam carros blindados aos seus presidentes; em 2006, esse índice foi de 53%. "As empresas estão mais preocupadas em contribuir para a segurança de seus executivos, principalmente em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo", analisa Thais Blanco, consultora sênior da Hewitt e responsável pela pesquisa.
Outros benefícios
A oferta de benefícios extras, não-tradicionais, como subsídios para a educação dos filhos, apoio psicológico ou jurídico, academia de ginástica, etc, são novidades na pesquisa deste ano. "Ainda não se configuram tendências ou têm índices elevados, mas estão presentes em muitas das médias e grandes empresas, com um foco de atenção crescente por parte dos gestores e dos RH’s. Por isso, decidimos começar a observar a evolução dessas práticas", diz René Bueno, consultor da Hewitt.
A análise desse contexto apontou, por exemplo, que entre as 140 empresas pesquisadas, 5% oferecem auxílio para educação dos filhos, 16% disponibilizam algum tipo de apoio psicológico, 12% pagam algum tipo de medicina alternativa (shiatzu, acupuntura, etc), 20% praticam descontos para funcionários que queiram adquirir produtos da própria empresa, 2% têm ou reembolsam o pagamento de academia de ginástica, 23% têm clube e 6% oferecem algum tipo de orientação financeira.
Outros dados
No caso dos planos de empréstimo pessoal para colaboradores, a mudança mais significativa é que as empresas estão deixando essa atividade para instituições financeiras, que ofertam em maior volume e com taxas competitivas em comparação ao varejo. Somente 26% mantém alguma linha subsidiária aos funcionários, contra 33% apontado no ano passado. Em Previdência Privada, a pesquisa aponta o avanço em relação a planos de Contribuição Definida: aumentou de 75% para 83% neste ano.