São Paulo, 30 de Janeiro de 2007 - Qualidade das demonstrações financeiras melhorou com o relacionamento. A adoção de práticas de governança corporativa estreitou o relacionamento das empresas com os auditores, melhorando a qualidade das demonstrações financeiras. Para que as demonstrações financeiras das empresas tenham a mesma transparência das companhias americanas e européias, falta agora harmonizar as regras contábeis brasileiras. Com esse objetivo foi criado, no final de 2006, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).
O ponto fundamental para o novo relacionamento empresa/ auditor foi a profissionalização dos conselhos de administração, com a contratação de conselheiros independentes e a criação dos comitês de auditoria, respondendo diretamente para os conselhos, conta o coordenador da câmara de governança corporativa do Instituto Brasileiro de Contabilidade (Ibracon), Marco Antonio Muzilli. "Antes o conselho de administração recebia o relatório do auditor e dava seu parecer. Não havia troca de idéias e sugestões entre ambos", diz.
A Lei das SA não manda que as empresas adotem esse tipo de estrutura, mas a prática já faz parte das exigências para estar nos níveis governança corporativa da Bovespa. Estão listadas nesses níveis quase 100 companhias abertas; muitas que ainda não fazem parte deles, porém, também já mantém conselheiros independentes e comitês de auditoria.
Segundo Muzilli, a busca por transparência começou com a necessidade de proteger o bolso dos acionistas, evitando novos escândalos como os ocorridos com empresas americanas e inglesas e as pesadas per-das que acarretaram. Mas ela não parou por aí e hoje atinge a qualidade da administração e a própria sustentabilidade dos negócios da companhia.
Depois dos avanços na gestão da empresa, o desafio fica com a harmonia contábil. De acordo com Muzilli, o principal problema é a inexistência de separação entre o balanço fiscal e o societário, o que impede que as demonstrações financeiras sejam um retrato fiel da empresa, como deveria.
Para aproveitar o máximo os benefícios fiscais a quem têm direito as empresas fazem amortizações que acabam distorcendo o real resultado societário. É o caso do leasing. Para obter o melhor resultado fiscal, a empresa pode amortizar em três anos uma máquina que tem uma vida útil de 10 anos, distorcendo o resultado societário no qual deveria constar uma amortização de dez anos.