SÃO PAULO - As empresas têm um bom motivo para se mostrar ativistas na luta pela preservação do meio ambiente e na promoção da responsabilidade social. Isto porque, muito mais do que representar vantagens para a natureza e para a sociedade, as medidas podem melhorar os negócios.
De acordo com o consultor do Sebrae-SP, Luís Alberto Lobrigatti, ser responsável socialmente ou ambientalmente pode gerar lucros para os empresários. "Estar ambientalmente ajustado às leis pode trazer uma boa resposta do mercado. As empresas devem aproveitar a legislação para vender sua imagem", explicou.
Social e ambiental
O consultor ainda disse que ser responsável socialmente é mais fácil do que cuidar da natureza. "Uma empresa instalada em seu bairro pode ajudar, por exemplo, a escola do mesmo bairro", afirmou. Para preservar o meio ambiente, no entanto, ela deve consultar órgãos como o Ibama, a Polícia Ambiental e outros para verificar se suas ações estão coerentes e de acordo com a legislação.
Mas para que as medidas tragam realmente lucros, elas precisam ser divulgadas para os clientes, fornecedores e consumidores. "Se a empresa usar as medidas junto ao marketing, ela melhora a lucratividade", explicou.
Porém, além da divulgação, a empresa precisa mostrar continuidade nos negócios ambientais e sociais, ou então as medidas serão vistas apenas como jogada de marketing e a companhia perderá em confiabilidade. De acordo com a consultora do Instituto Akatu para o Consumo Consciente, Maluh Barciotte, o investidor está cada vez mais consciente e seletivo, "sabendo separar o 'joio do trigo".
Crédito de carbono
Ainda de acordo com o consultor, existem medidas que podem fazer com que o empresário ganhe dinheiro, como o comércio do carbono. "O carbono hoje é uma moeda comercializada. Todas as empresas podem diminuir a emissão e transformar isso em crédito. E as empresas ganham dinheiro com isso", explicou Lobrigatti.
O País tem tido boa representação no mercado de créditos de carbono, que são certificados que dão o direito de poluir.
Para facilitar o registro dos projetos e determinar o ranking de preferência - quais projetos que causam menos dúvidas, ou seja, aqueles com comprovação mais fácil de redução, são mais solicitados -, a Bolsa de Mercadorias e Futuros criou o Banco de Projetos da BM&F.
O objetivo do banco é fomentar o interesse do empresariado nacional pelo desenvolvimento de projetos de tecnologia limpa, fornecendo instrumentos eficientes de exposição desses projetos, e criar um campo facilitador de futuros negócios com créditos de carbono.