Entenda os leilões de dólar anunciados pelo BC

O Banco Central decidiu "desenterrar" nesta quinta-feira (18) os leilões de venda de dólar com compromisso de recompra para tentar conter a disparada da moeda norte-americana, em um contexto econômico completamente diferente do visto em 2002, quando essas operações foram lançadas.

Dólar reduz alta depois de anúncio do Banco Central

Nos leilões que serão retomados pelo BC, o mercado recebe um volume de dólares com compromisso de repassar o montante ao BC dentro de um prazo estipulado - funciona, basicamente, como uma espécie de empréstimo. O presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, explicou que a medida vai aumentar a quantidade de dólares em circulação.

"O Banco Central do Brasil tomou a decisão hoje de promover leilões de venda de moeda, de dólares, conjugados com uma compra futura. O Banco Central vai estar, portanto, provendo liquidez no mercado interbancário de moeda estrangeira", afirmou ele durante evento em Nova York.

Meirelles negou que o Brasil seja afetado diretamente pelos problemas que os Estados Unidos sofrem atualmente. "O sistema financeiro brasileiro é sólido e capitalizado e não tem exposição direta sobre esses ativos que estão exatamente sendo a fonte destes problemas nos Estados Unidos."

Moeda a R$ 4

A última operação desse gênero foi realizada pelo em 27 de fevereiro de 2003, quando o BC ofertou US$ 200 milhões por 27 dias corridos. Foram efetivamente vendidos US$ 92 milhões.

À época, a moeda norte-americana chegou a R$ 4 pelos temores do mercado diante da possível vitória do então candidato de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. Lula era visto com desconfiança por conta de suas históricas posições contra o modelo econômico adotado pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

Agora, a escalada do dólar não reflete nenhum tipo de problema nos fundamentos da economia brasileira ou incerteza política. Ao contrário: sobram elogios à melhora do país que precisa, no entanto, enfrentar uma tempestade internacional.

"Com o problema dos bancos lá fora, eles não têm espaço para dar linha em dólares aqui", afirmou Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez.

Mais forte

Um bom exemplo da melhora interna é o nível das reservas internacionais. Em outubro de 2002, esse colchão somava pouco mais de US$ 35 bilhões e agora supera US$ 200 bilhões.

Mesmo assim, o dólar vem subindo há quatro dias à medida que mais instituições financeiras nos Estados Unidos entram em colapso. Nesse curto período, a moeda norte-americana já acumula alta de quase 8 por cento.

A crise originada no mercado imobiliário norte-americano praticamente congelou o crédito pelo mundo, o que têm forçado os principais bancos centrais a injetar bilhões de dólares no sistema bancário.


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O Presidente Barack Obama conseguirá reverter os efeitos da crise americana?

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