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Fidget spinners: como uma patente ignorada se tornou sucesso de vendas mundial

Tudo, literalmente, gira em torno do argumento de venda

Redação, www.administradores.com,
Ryan Dickey/ Wikimedia

Em 1993, a engenheira Catherine Hettinger registrou nos EUA a patente de um "brinquedo girador", de forma circular, que podia ser segurado pelas pontas dos dedos e ter as bordas livres para girar. O princípio é exatamente o mesmo dos fidget spinners que são a febre do momento no mundo todo, embora a forma seja um pouco diferente. A patente de Catherine não empolgou na época e acabou não sendo renovada, por não encontrar saída comercial. Mas a história não acabou aí, obviamente.

Pela lei americana, uma patente registrada antes de 1995 (ano em que houve uma mudança na regra) tem validade de 20 anos a partir da data em que foi solicitada. A do brinquedo de Catherine, portanto, venceu em 2013. Em depoimento ao site espanhol Hipertextual, ela conta que tentou por várias vezes, em feiras de negócios, vender seu projeto a fabricantes de do setor, mas nunca conseguiu emplacar.

     
 Desenho da patente do brinquedo criado por Catherine    
     

Sem conseguir viabilizar comercialmente o projeto, a engenheira desistiu da patente e não pagou por sua renovação. Assim, desde 2014 ela se encontra livre. Qualquer pessoa que quiser utilizá-la pode fazê-lo sem problemas. E foi aí que entrou em jogo a Hasbro, terceira maior fabricante de brinquedos do mundo e que produz os fidget spinners.

Ao Hipertextual, Catherine disse ter apresentado o projeto à Hasbro, que não se interessou por ele na ocasião. O que para ela tinha morrido ali, para a empresa, entretanto, continuou vivo.

É fato que os fidget spinners que conhecemos hoje são diferentes do projeto concebido por Catherine, embora guardem similaridades na forma e sejam praticamente iguais na execução da brincadeira. Mas, deixando de lado essa questão sobre as patentes, por que um brinquedo inventado em 1993, apresentado a tantos fabricantes, só veio se popularizar hoje?

Neste vídeo você pode ver alguns dos mais variados modelos do brinquedo que já apareceram no mercado:

Poderíamos usar a questão da patente como argumento na resposta à pergunta acima (a Hasbro preferiu esperar o fim da patente para começar a produzir sem ter que pagar nada à inventora). Mas não é suficiente. Por não ser exatamente igual, o fidget spinner da Hasbro poderia muito bem ter sido patenteado 20 anos atrás, que não infringiria a patente de Catherine, já que são parecidos, mas não iguais. Sem contar que, tendo noção do sucesso em que se tornou, seria um bom negócio mesmo tendo que pagar direitos à detentora da ideia original.

Mas o ponto chave não é esse e sim a apresentação do produto. Quando Catherine criou seu projeto, a ideia era simplesmenter encontrar uma maneira de brincar com a filha sem precisar mover muitas partes do corpo, pois sofria naquele tempo de uma doença que prejudicava seus movimentos. Na prática, isso não tem apelo comercial de massa. À primeira vista, pense bem, que graça tem um brinquedinho simples que tudo que faz é girar na ponta dos seus dedos? Um tédio.

O ponto de virada

Mas eis que alguém encontrou um argumento poderoso. Num mundo caótico, em que as pessoas vivem em agitação constante, a busca por foco e maior concentração é um grande filão. Assim o fidget spinner se tornou um instrumento poderoso e um produto promissor ao passar a ser apresentado não mais como um simples brinquedinho infantil, mas um dispositivo que ajuda crianças e adultos a se tornarem mais centrados e calmos.

Embora não haja nenhuma comprovação científica do uso terapêutico dos brinquedos, foi esse o argumento que o tornou esse viral que enxergamos hoje. 

No fim das contas, esse é mais um exemplo de que um produto não é o que ele faz, mas o que as pessoas esperam dele. Concordam?

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