Silicon Valley: o mundo dos nerds empreendedores

Brigas comerciais, patentes, cifras milionárias e disrupções tecnológicas: o que acontece quando dois mundos colidem?

Raíza Pacheco, Administradores.com,
Divulgação

"É estranho. Eles sempre andam em grupos de cinco, esses programadores. Tem sempre um cara branco alto, um asiático baixo, um gordo com rabo de cavalo, algum com uma barba doida e então um do Leste Asiático. É como se eles trocassem integrantes até todos terem o grupo ideal". A observação feita pelo personagem Gavin Belson, no primeiro episódio de Silicon Valley, indica logo uma das coisas que a série mais gosta de fazer: zombar dos estereótipos do famoso Vale do Silício.

Na comédia da HBO, Gavin Belson é o CEO da Hooli, uma gigante da tecnologia com escritórios cheios de espaços abertos, cápsulas para descanso, cozinhas repletas de lanches e energéticos e patinetes para funcionários se locomoverem. Do cenário ao nome, tudo é inspirado no Google. É na Hooli que trabalha Richard, um dos integrantes do grupo de programadores que acompanhamos com a série.

Cansado da cultura organizacional das grandes empresas, com hierarquia entre programadores e confortos que tentam incentivar longas jornadas de trabalho, Richard cria seu próprio aplicativo, o Pied Piper. Feito para músicos e compositores que desejam evitar casos de plágio, o app não parece ter muito futuro, e os pitches de seu criador tímido e recluso não convencem. Até que, por acaso, Richard vê sua ideia ser o centro de uma disputa entre dois CEOs poderosos. Sem perceber, ao criar o aplicativo, ele elaborou um algoritmo de compressão de arquivos que pode revolucionar toda a indústria.

De um lado está o CEO da Hooli, Gavin Belson, oferecendo US$ 10 milhões para comprar o Pied Piper inteiro. É o passaporte de Richard para a vida tranquila de muitos milionário do Vale, que aproveitam os louros de uma única ideia o resto da vida. Do outro lado está o excêntrico Peter Gregory, um CEO com um quê de Steve Jobs, que oferece um investimento de U$200 mil por 5% do negócio e a chance de Richard de levar sua ideia adiante e ver sua criação ganhar vida. Depois de algumas crises de pânico, ele escolhe a segunda opção.

Não é exatamente um spoiler: isso tudo é só o primeiro episódio. Ao longo da temporada, Silicon Valley usa a comédia para nos mostrar como funcionam os negócios na região mais inovadora do mundo. Através de Richard e seu grupo de amigos, vemos uma startup sem muita forma nem expertise ter que lidar com investidores, concorrências acirradas, problemas de copyright e eventos de tecnologia. Vemos nerds fazendo planos de negócios, demos e pitches e virando líderes carismáticos. Mas o mais legal de Silicon Valley talvez seja seu otimismo na hora de encarar o empreendedorismo. Como explica Richard aos seus amigos, na hora em que decide seguir investir em sua ideia: "por muitos anos, caras como nós apanharam muito. Mas agora, pela primeira vez, estamos vivendo na era onde podemos ter controle e construir impérios".