Suits: os workaholics que não sabem desistir

Em Suits, nem a falta de um diploma é obstáculo para quem tem objetivos e sabe aproveitar as oportunidades.

Raíza Pacheco, Revista Administradores,
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Prestes a receber uma promoção muito esperada, o maior negociador de um dos principais escritórios de advocacia de Nova York tem uma surpresa infeliz: só ganhará o status de sócio se provar que pode encontrar (e orientar) um novo advogado para sua empresa. Para Harvey Specter, nada pode ser pior do que ter que entrevistar dezenas de jovens advogados certinhos e engravatados que acabaram de sair da Universidade de Harvard com muitas horas de estudo e poucas horas de experiência. Entediado, ele avalia candidatos sem se importar muito com a tarefa até o momento em que Mike Ross entra por sua porta.

Mike é um jovem inteligente e esperto, com humor afiado, uma memória fotográfica impressionante, e sabe recitar cada texto que estudou para fazer o exame da ordem dos advogados. Ele é tudo aquilo que Harvey procura, exceto pelo fato de ter acabado ali acidentalmente, com uma mala cheia de maconha, fugindo da polícia. Mike não é advogado e nunca terminou a faculdade - foi expulso ao tentar vender as respostas de uma prova para a filha do reitor, e só fez o exame da ordem porque um rapaz o pagou para isso. Mas ao acabar no lugar certo, na hora certa, Mike aproveita a situação e convence Harvey a contratá-lo, mesmo sem diploma.

É assim que se inicia Suits, drama americano que acompanha as vidas e rotinas dos principais advogados da firma Pearson & Hardman. Dividindo-se entre o desenrolar da contratação de Mike e casos de novos clientes, a série mostra como uma equipe de profissionais de alto desempenho lida com os desafios dos tribunais e com as politicagens de um grande escritório.

Já no primeiro episódio conhecemos as personalidades dos protagonistas: Harvey é um advogado brilhante que não tem medo de inovar ou apostar alto; Mike é perspicaz e encontra soluções nas situações mais complicadas. E enquanto o mentor tenta ao máximo se manter distante dos dramas pessoais dos clientes, o aprendiz encontra na sua empatia uma forma de se destacar dentro da empresa.

Embora às vezes se assemelhe a outros seriados de advogados e dramas do estilo procedural, que contam histórias que se encerram a cada semana, Suits não parece ser apenas uma fórmula repetida. A série é divertida e ágil na hora de retratar negócios impossíveis de serem fechados, intrigas entre colegas de trabalho e workaholics com pouca vida social.

Parte da graça do seriado é que, para a dupla de protagonistas, não existe caso que não possa ser vencido ou testemunha que não possa ser persuadida a depor - mesmo que isso implique em longas jornadas de trabalho ou táticas que beiram a ilegalidade. A abordagem é sempre agressiva quando se trata de cumprir tarefas. "Eu não tenho sonhos, eu tenho metas", afirma o confiante Harvey Specter em certo momento. Com suas reviravoltas, Suits mostra que nem sempre as coisas acontecem como o planejado, e isso pode ser bom - desde que você não confunda oportunidades com dores de cabeça nem cometa o erro de desistir.