Em um universo no qual marcas nascem quase que diariamente, ocupar espaços na mente do consumidor é uma tarefa cada vez mais difícil. Em busca de diferenciação, grifes famosas passaram a diversificar suas estratégias de publicidade e marketing, associando seus nomes a eventos musicais, de cultura, esportes e turismo. Vêm desta vertente casos como o Coca-Cola Vibe Zone, Skol Beats, Tim Festival e Claro que é Rock, iniciativas que ilustram as investidas de empresas que buscam se inserir entre as opções de lazer do consumidor para consolidar a identidade de suas marcas. Sintonizada com esta tendência, a Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-RJ) oferecerá, no próximo vestibular, o primeiro curso de graduação em Administração com ênfase em Marketing de Entretenimento. “Trata-se de encontrar formas de associar a marca a outros momentos da vida do consumidor que não estão relacionados ao seu cotidiano”, ressalta Roberta Campos, uma das professoras do curso. O profissional graduado neste curso terá formação multidisciplinar e conhecimento não apenas sobre administração de eventos mas também sobre a gestão de uma marca. “O profissional será capacitado em marketing, branding, comunicação e saberá trabalhar com imagem e informação”, destaca.
Mercado existe, assegura o coordenador do núcleo de estudo e pesquisa em marketing do entretenimento da Universidade Federal Fluminense, Eduardo Vilela, convicto de que a opção por esta graduação é uma boa aposta. Afinal, explica ele, nem sempre há planejamento e visão estratégica para explorar eventos em sua totalidade, o que alarga o campo de trabalho para o profissional do marketing de entretenimento. “O próprio Rio de Janeiro é um bom exemplo. O que fizemos com a estrutura que ficou do Pan? O que os responsáveis pelo marketing da cidade poderiam ter feito? Quanto não se poderia ganhar em imagem com isso?”, questiona Vilela. Andréa Galasso, diretora da Banco de Eventos – empresa especializada em marketing de entretenimento –, acredita que a cultura de associar marcas a eventos ou projetos culturais já está consolidada no Brasil, após 15 ou 20 anos de evolução do segmento. “As empresas perceberam que é uma estratégia eficaz para impactar diretamente seu público sem ‘forçar a barra’, ou seja, envolvendo o consumidor em eventos divertidos”, explica. Andréa aprova a criação do curso universitário. “É ótimo. A segmentação dos cursos que capacitam em marketing é muito interessante para o mercado, pois cria profissionais cada vez mais especializados para determinadas demandas”, salienta.