Para o consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria e professor da Trevisan Escola de Negócios, Olavo Henrique Furtado, o ranking das 10 marcas mais valiosas do mercado brasileiro chama a atenção pela força do sistema financeiro. “Das 10 marcas, quatro são bancos. Merece destaque também no ranking da Interbrand, que empresas como a Ambev tenham ficado de fora este ano. O motivo da ausência, segundo a Interbrand, é em função da internacionalização das suas respectivas companhias”. O consultor explica que a AmBev tornou-se Inbev (pela fusão com a Interbrew, em 2005) e passou a divulgar resultados gerais e não em separado para cada marca, o que inviabilizou o levantamento pela Interbrand.
Nota-se, no entanto, que entre as 10 mais valiosas existem marcas referentes à empresas que estão em um agressivo processo de internacionalização, seja através de produtos ou de aquisições no exterior. Petrobrás, Natura, Vale, Usiminas, Gerdau – todas presentes como as primeiras no ranking – são as empresas que estão sendo alavancadas como as ‘multinacionais’ brasileiras e que estrategicamente se colocam como tal”.
“A dúvida que nos acomete é por que a internacionalização favoreceu estas marcas e não favoreceu marcas tão fortes no mercado nacional, como a Ambev? Primeiro, a própria metodologia que talvez precise levar em consideração o processo feroz de concentração de setores no mercado mundial. Segundo, porque o processo é uma via de mão dupla. Enquanto a Ambev se internacionalizou pela fusão com um grupo de atuação mais expressiva no comércio mundial e, por isso, teve sua marca diluída dentro da Inbev, as demais marcas, todas brasileiras, se fortaleceram exatamente porque se internacionalizam no sentido contrário, ou seja, ao invés de adquiridas elas são, na maioria dos casos, ativos global players, adquirindo empresas ou desenvolvendo produtos com foco no mercado externo”, finaliza o professor do curso de Relações Internacionais da Trevisan Escola de Negócios.