Como numa engrenagem invisível, o estudo de séries históricas mostra que ações podem manter vínculos entre suas trajetórias - o que os estatísticos chamam de correlação. Identificando padrões sobre a forma como evoluem os papéis, economistas como Harry Markowitz e William Sharpe, premiados com o Nobel em 1990, desenvolveram modelos matemáticos que, dentro de certa margem de risco, buscam maximizar o retorno de carteiras de investimento diversificadas.
Em estatística, correlação é o vínculo entre duas variáveis que podem ser medidas – por exemplo, o desempenho de duas ações. Esse vínculo varia entre -1 e +1. Quando duas ações mantêm correlação equivalente a -1, por exemplo, diz-se que têm correlação negativa perfeita: a trajetória delas é inversamente proporcional – quando uma sobe, a outra tende a cair exatamente na mesma proporção. A correlação positiva perfeita (+1), por outro lado, ocorre quando dois papéis se comportam de forma idêntica, subindo ou caindo na mesma proporção em dado momento.
No mundo real, correlações perfeitas, de -1 ou +1, são raras. O mais comum é encontrar pontos entre os extremos.
Dentro de uma carteira de renda variável, correlações negativas têm efeito defensivo: a diversificação reduz o risco e há equilíbrio entre ganhos e perdas. O potencial de ganho, porém, é menor. Carteiras com correlações positivas, ao contrário, oferecem alto risco, com potenciais maiores de ganho e também de perda. Afinal, as ações tendem a subir e cair juntas.
Um olho na ação, outro no mercado
Não se mede o risco de uma ação por si, mas sempre em função do movimento geral do mercado. Quando a ação é “Beta maior que 1”, sofre oscilações que superam a média do mercado (no caso, o Ibovespa) tanto na alta quanto na baixa. Ela sobe mais do que a média na bonança e desaba mais do que a média durante a tempestade.
Papéis com “Beta menor que 1”, inversamente, oferecem ganhos menores do que a média quando o mercado opera em terreno positivo, mas também significam risco menor em períodos como o atual, de forte tensão e volatilidade.
Quando o Beta é igual a 1, a ação tem correlação perfeita com a média do mercado – no caso brasileiro, o papel estaria colado ao Ibovespa, o que pode ocorrer em ações de grande liquidez, como as da Vale.