Pesquisa confirma que os serviços bancários andam distantes dos micro, pequenos e médios empreendimentos na América Latina. De acordo com o estudo 'Perspectivas das PME na América Latina', apresentado pela Visa International - Região América Latina e Caribe e a The Nielsen Company nesta quinta-feira (16), em São Paulo, existe uma lacuna entre as necessidades financeiras das pequenas e médias empresas no Brasil e os produtos empresariais disponíveis.
O acesso ao crédito e o pouco acesso aos serviços financeiros empresarias são temas críticos para as pequenas empresas na América Latina. Apenas 23% dos empreendimentos consideram fácil ter acesso à alternativas de crédito, sendo que 26% afirmaram contar com algum tipo de crédito formal, a maioria concedido por bancos. No entanto, os fornecedores de matéria-prima e inventário servem como fontes alternativas de financiamento, já que 88% oferecem facilidades de pagamento e 74% concedem descontos no pagamento à vista.
“Apesar dessa situação, é importante registrar o crescimento desse atendimento nos últimos anos”, informou Eduardo Chedid, vice-presidente de produtos da Visa do Brasil. O objetivo do estudo foi adquirir um conhecimento diferenciado para compartilhar com as instituições financeiras e, assim, oferecer soluções de pagamento que satisfaçam as necessidades de crescimento desse segmento.
O estudo englobou 1.200 micro, pequenas e médias empresas de oito países da América Latina e do Caribe (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Peru e República Dominicana) e foi realizado entre janeiro e março de 2007.
A mostra incluiu as micro, pequenas e médias empresas com faturamento anual de até US$ 5 milhões. Consideram-se micros as empresas que têm entre 1 e 10 funcionários, pequenas as que contam com 11 a 25 funcionários e as médias as que possuem de 26 a 50 funcionários. Foram consideradas as variáveis país, tamanho e tipo de indústria para chegar a resultados representativos do mercado regional.
“O estudo oferece uma visão geral e permite identificar oportunidades e necessidades de financiamento básicas para alavancar a expansão dos negócios e a modernização das operações de micro e pequenas empresas”, comenta Rita Padovani, diretora de Customized Research Brasil, da The Nielsen Company.
“Os bancos estão acostumados a trabalhar com grandes clientes e ainda não estão preparados a atender esse segmento. Pela característica global de nossa atuação, levamos às instituições informações sobre as melhores práticas mundiais para, por exemplo, concessão de crédito”, explicou Chedid. “No Canadá, a análise foca o histórico da pessoa física para conceder crédito para a pessoa jurídica. Outra prática adotada olha para frente: são analisados contratos de fornecimento futuro para avaliar a garantia de fluxo de caixa”, contou.
Chedid destacou também o trabalho realizado em parceria com o Sebrae, em especial o curso Empretec, que no módulo de gestão financeira orienta sobre a mais adequada utilização do cartão empresarial.
Cheque e dinheiro
De acordo com os resultados da pesquisa, a maioria das pequenas empresas da América Latina considera mais simples se registrar e operar como pessoa física ao invés de jurídica. O Brasil é a exceção, sendo o País da região com o maior índice de empresas registradas como pessoa jurídica (82%).
No Brasil, 98% dos donos de empresas possuem um instrumento bancário, seja pessoal ou empresarial, sendo que 74% contam com instrumentos financeiros empresariais para o desenvolvimento de seu negócio. No entanto, cerca de 50% indicam que utilizam produtos pessoais com fins empresariais.
No que se refere a métodos de pagamento, 76% dos pequenos empreendimento brasileiros utilizam cheque e dinheiro para seus gastos cotidianos. O estudo indica que apenas 3% utilizam cartões de crédito ou débito, sejam empresariais ou pessoais.
Para mais da metade das empresas latino-americanas pesquisadas, o maior desafio para os próximos dois anos é a expansão dos negócios, através do aumento das vendas, da base de clientes e compra de equipamentos e maquinário. Oito em cada 10 empreendedores querem crescer moderada ou significativamente nos próximos três anos. Cerca de 39% acreditam a situação econômica geral de seus países melhorará nos próximos 12 meses.
Frente a este panorama, a Visa anunciou o lançamento de soluções de pagamento desenhadas para atender às necessidade de micro e pequenos empresários com o objetivo de favorecer o crescimento. Campanhas publicitárias também estão sendo divulgadas para ampliar o nível de conhecimento dos empreendedores para os produtos disponíveis.