Expomanagement: A criatividade como mola propulsora dos negócios
06 de novembro de 2007 ąs 05:35
Portal HSM On-line
Tachibana Zen / Lola Studio
Um dos maiores ícones de gestão no setor de entretenimento em todo o mundo, Michael Eisner, que comandou a Walt Disney Company e tornou a Paramount Pictures a referência que é atualmente, participou nesta segunda-feira, 5 de novembro, da ExpoManagement 2007, da HSM, evento patrocinado por Tecnisa, Unyca TV Corporativa e Varig. Eisner ressaltou durante sua conferência a importância da criatividade em todo e qualquer setor, não apenas no ramo principal de atuação de uma companhia, mas em todos os seus segmentos.
Para ele, esse fator deve ser considerado na microgestão, que nada mais é do que a capacidade de explorar as diferentes possibilidades oferecidas tanto por um produto quanto por uma empresa. Segundo ele, isso significa ir além, procurando, até nos pequenos detalhes, oferecer qualidade e algo mais, que tornem o produto único no mercado.
Eisner afirmou que dentro da indústria da diversão, a Internet desponta atualmente como um novo e promissor nicho. Segundo ele, a Paramount está apostando em novos negócios nessa área, incluindo a comercialização de DVDs e produção de seriados, com episódios de dois a sete minutos cada um, cujo custo maior é o da tradução para outras línguas.
Criatividade é fundamental - “A forma correta de crescer é pensar dentro da caixa, elemento esse que é o foco da empresa. É preciso ver se esta caixa tem as dimensões necessárias, não temer falhas e dar todo o espaço à criatividade”. Foi dessa forma que Eisner resumiu o papel da microgestão empresarial no crescimento das empresas de quaisquer setores. Dentro dos limites do que cada empresa ou negócio se propõem, devem ser procuradas saídas inusitadas, criativas, que ofereçam diferenciais aos clientes.
A gestão de Michael na Walt Disney Company e na Paramount Pictures é um exemplo do que a criatividade pode fazer por uma empresa, distinguindo-a no mercado, mesmo com redução de custos. Na primeira, por exemplo, Eisner revolucionou a forma como eram vistos os processos e as metas, tornando a Disney um grupo ainda mais forte do que já era.
A Internet é apenas mais um nicho - Correr riscos, não perder o entusiasmo e investir na criatividade são os principais ingredientes da fórmula de sucesso aplicada por Michael Eisner para se tornar a referência mundial no setor de comunicações e entretenimento, depois de décadas no comando da Walt Disney Pictures e da Paramount Pictures.
Durante a palestra, Eisner revelou, com exemplos, que é preciso ter muito claro o que uma marca representa e o que não representa, não apenas em termos de valores diretos, quanto também indiretos e em longo prazo. É sob esta ótica que, para ele, devem ser considerados novos produtos e investimentos, aprendendo a dizer não para uma boa oportunidade de negócios imediata que, no futuro, pode comprometer a imagem de uma marca, por destoar de sua imagem.
A empresa é uma caixa – Eisner destacou que vê cada empresa como uma caixa, e é dentro dela que as soluções têm de ser pesadas, levando em conta se ela foi adequadamente dimensionada para suas funções. Além disso, orientado por esses parâmetros não se deve temer falhas, pois esse medo limita a criatividade e impede a que se assumam riscos, os quais são para ele, essenciais ao desenvolvimento em qualquer campo.
E isso também com relação a custos.
O palestrante revelou que durante sua passagem pela Paramount o custo médio das produções era geralmente inferior ao do mercado e, por causa disso, a empresa passou do último para o primeiro lugar entre os seis grandes estúdios norte-americanos.
Inovação e risco - É dentro desse escopo que a Walt Disney Company teve uma trajetória incomparável. Diversificou suas áreas de atuação, investindo em parques temáticos, hotéis e cruzeiros, além de atualmente contar com mais de dez emissoras de televisão, 21 de rádio e sete jornais diários.
Uma das máximas do executivo é que uma idéia nunca é suficientemente boa para que não possa ser melhorada. Segundo ele, a abordagem dos temas, mais do que a programação em si, é o diferencial da ESPM, uma de suas emissoras de maior sucesso.
O palestrante ainda usa uma série de exemplos para demonstrar que inovar não é impossível, mesmo quando os produtos tendem a ser aparentemente homogêneos. Isso pode ser confirmado, conforme enfatizou, em hotéis temáticos ou nos navios de cruzeiros, os quais, além de priorizar a qualidade em todos os níveis, se atêm também a detalhes. “Brindes, como xampus, ou luzes de leitura confortáveis e adequadas nas cabines fazem a diferença”, disse.
A produção contínua de idéias originais, em sua avaliação, não pode ser descartada para que a empresa permaneça na liderança de seu setor. E, por essa razão o conferencista afirmou que as falhas não devem ser vistas como um problema, algo que iniba a criação e inventividade, desde que se aprenda com elas e não se repita o mesmo erro.
A construção da marca - Para Eisner, uma marca é feita de pequenos pontos, como uma grande gravura. “Vista de longe, é uma imagem, mas, de perto é a junção de vários pontos. Cada um é fundamental. Essa metáfora mostra como abordamos cada um dos produtos Disney”, comentou.
A nova filosofia permitiu que, sob o comando de Eisner, a Disney elevasse seu faturamento de US$ 1,7 bilhão para US$ 25,4 bilhões, entre 1984 e 2005, com crescimento da receita operacional de US$ 291 milhões para mais de US$ 4 bilhões. “Todos podem ter idéias inovadoras, mas poucos ousarão colocá-las em prática”, justificou.
Espaço para criar – O conferencista destacou ainda que a liberdade de criação é aspecto essencial dos negócios. “Por mais absurda que seja uma idéia, ela tem de ter espaço para ser expressa, pois alguns ótimos eventos tiveram isso como base”, argumentou, comentando que um de seus melhores trabalhos nasceu justamente da tolerância da falha.
“E isso é fundamental atualmente. Para tudo, Internet principalmente”. Para o conferencista, as novas tecnologias da informação nivelam o mundo. Segundo ele, antes havia as barreiras da distância, dinheiro, tempo e idioma. Hoje, a única barreira é a criatividade.
“A indústria do entretenimento está atenta a isso, assim como à comunicação de massa. Pois sempre haverá demanda para produtos mais econômicos e para produtos elaborados”, destacou.
Fonte: Portal HSM On-line
05, 06 e 07 de novembro de 2007