Com os diversos casos de assaltos à rede hoteleira exibidos pela mídia, foi possível perceber como agem as quadrilhas especializadas em assaltar hotéis na cidade de São Paulo. A maioria faz reservas como se fosse um hóspede comum e, quando tem a chance, rouba os pertences dos mais desatentos ou, nos casos mais graves, fazem “arrastões”, levando toda a bagagem dos clientes.
Geralmente, a portaria dos hotéis é um lugar movimentado. Os gerentes acham muito complicado montar um esquema de segurança eficaz ou insistem na idéia de que o cliente se sentirá ofendido se for obrigado a passar por uma revista mais detalhada. Interromper a ligação de uma pessoa que está bem trajada e dirigindo um veículo importado pode ser interpretado como ousadia e não bom senso.
Para resolver esse problema, muitos hotéis instalam câmeras e equipamentos de segurança por todos os lados, porém nem todos conseguem os resultados esperados. Não são poucos os estabelecimentos que utilizam o circuito fechado de TV, mas quase nenhum consegue, de fato, prender o assaltante. A maioria apenas mostra a gravação do ladrão tendo sucesso e do cliente tendo prejuízo.
Para o David Fernandes, diretor da Previne Security, empresa especializada em consultoria em segurança, existem maneiras de evitar que esse tipo de assalto aconteça. “Sabemos que é difícil controlar uma portaria em que tantas pessoas passam em tão pouco tempo, por isso é importante que os gestores identifiquem as falhas de processos e não apenas de segurança. No caso dos hotéis, a entrada dos clientes é um exemplo de processo”.
Uma ilustração da fragilidade da segurança é o caso de um hotel paulista que investiu mais de R$ 500 mil em segurança eletrônica. São 187 câmeras gravando tudo, 24 horas por dia, mas mesmo assim os riscos continuam. Segundo o gerente de um dos hotéis assaltados, as pessoas precisam ter mais cautela quando estão hospedadas. “Não estamos num condomínio onde você conhece seu vizinho. Então, as suas coisas têm que ser muito bem cuidadas”, afirma.
Na visão de David, é obrigação também do hotel alertar ao cliente dessa cautela. “Poucos hotéis deixam claro aos hóspedes os riscos de terem as malas furtadas durante um café, almoço ou mesmo junto à portaria. O procedimento deve ser igual ao de um estacionamento, você precisa saber se seu carro estará segurado em caso de roubo ou furto”, critica.
A rede hoteleira alega que a polícia não faz o esforço necessário para combater os bandidos. Já a polícia diz que os hotéis não costumam passar muitas informações sobre os assaltos porque não querem se expor e nem expor seus clientes. O fato é que não existe realmente um sistema de segurança confiável na maioria das pousadas brasileiras, algo que pode ser melhorado com a atuação de especialistas em gerenciamento de segurança.