A promoção relâmpago termina amanhã, mas a expectativa da organização é que o número de visitantes mantenha a média dos anos anteriores, quando cerca de 35 mil pessoas passaram pelo Ginásio da Universidade Estadual da Unicamp nos dois dias de feira. "É uma oportunidade única de estudantes e professores adquirirem livros universitários e de literatura pelo preço justo", diz Franchetti.
Uma das diferenças desta edição da Feira em relação às anteriores está na prioridade dada aos livros acadêmicos. Desta vez, obras infantis ou de auto-ajuda ficaram de fora, bem como as editoras que trabalham com esse filão de mercado. "Teremos menos editoras participando desta vez, mas, em contrapartida, o nível dos títulos vendidos aumentou", afirma Franchetti, que também é diretor-executivo da Editora da Unicamp. Além dela, outras editoras campineiras terão estandes próprios no local - Autores Associados, Papirus e Átomo & Alínea. Das grandes editoras nacionais destacam-se a presença da Cosac & Naify, Martin Claret, Ateliê Editorial, Perspectiva, Global, Fundação Perseu Abramo e Editora 34 estão entre elas.
Segundo Paulo Franchetti, o objetivo da Feira é contribuir para a disseminação do livro universitário por meio da venda direta ao público interessado e "sem a interferência dos atravessadores". Para ele, a principal culpa do preço alto do livro no Brasil seria a "mentalidade do lucro integral" que, segundo ele, "ainda predomina" entre distribuidores e livreiros.
"A feira traz dezenas de editoras que vendem diretamente ao público, com desconto mínimo de 50%. Esse é o desconto padrão que as editoras dão aos distribuidores e às grandes livrarias. Ou seja, com 50% de desconto, as editoras ainda lucram. Os distribuidores e livreiros ficam com metade do valor que o cliente paga pelo livro, sem empatar nenhum capital, pois pegam tudo em consignação. É o negócio que mais dá dinheiro no Brasil, mas essa prática dificulta o acesso à leitura", critica. O evento ocorre a cada dois anos, com o apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
O visitante não irá encontrar apenas livros acadêmicos, apesar de estes responderem pela maior parte dos estandes disponíveis. A literatura de ficção também estará representada através de obras clássicas e contemporâneas de autores como Dostoiévski, Kafka e Machado de Assis. Todos os livros, independentemente de seu preço em livraria, estarão sendo vendidos pela metade do valor.
"Na edição de 2004 notamos que muitos alunos da Unicamp aproveitaram os descontos da feira para trocar o xerox pelos livros. Defendo a idéia de que a opção pelas cópias se dá apenas por economia, porque as pessoas preferem o contato com a obra original. Também por este motivo os estudantes são o público alvo do evento", avisa.