Que dinheiro não traz felicidade, todo mundo já cansou de ouvir. Mas, será mesmo que não? Lançado recentemente no Brasil, o livro "Dinheiro pode comprar felicidade", derruba algumas verdades e diz que, usado de forma correta, o dinheiro pode sim deixar as pessoas mais felizes e satisfeitas.
A autora do livro, a colunista do jornal americano The New York Times, MP Dunleavey, defende a idéia de que as coisas que compramos nos dão a ilusão de que estamos felizes. E essa ilusão dura pouco: acaba no instante em que o produto perde seu valor de uso imediato.
"Nós não estamos em busca dos produtos em si, mas no que eles podem nos dar emocionalmente. O problema é que, após a compra, nós nos sentimos bem, na moda, ricos, por somente um curto período de tempo. Aquele pico emocional desaparece logo", explica Dunleavey.
A velha questão de que os ricos são mais felizes gera controvérsias. Na contramão de muita gente, o ganhador do Nobel Daniel Kahneman defende que, não, dinheiro não traz felicidade. Ele realizou uma pesquisa perguntando se você seria mais feliz se fosse mais rico. A resposta: não.
Kahneman, assim como Dunleavey, argumenta que o aumento de renda gera um efeito passageiro de bem-estar. Quando se passa a ganhar mais, se gasta mais tempo ganhando dinheiro, e com isso, atividades prazerosas, como estar com a família, ir ao cinema ou sair para jantar, ficam de lado.
O nobel ainda adverte: acreditar na ilusão que o dinheiro o faz feliz, pode levar a um efeito colateral inesperado: pode fazer sua vida piorar.
No próprio livro "Dinheiro pode comprar felicidade", Dunleavey ilustra com um levantamento informal sobre o que mais gera alegria para as pessoas. Comer melhor, fazer mais sexo, viajar mais, dedicar-se a um projeto profissional diferente, ter mais tempo livre e até ir a um karaokê foram citados. Ninguém, porém, falou em fazer compras.
A próxima vez que alguém lhe perguntar o que traz felicidade, pondere na resposta: dinheiro pode não ser a opção mais certa e correta.